Com o olhar voltado ao futuro, o Congresso Continental de Teologia, que será sediado pelo Instituto Humanitas, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em 2012, vai indagar qual o futuro e os desafios da teologia no contexto latino-americano.
O evento se reportará aos 50 anos de abertura do Concílio Vaticano II (11 de outubro de 1962) e aos 40 anos da publicação de “Teologia de la Liberación. Perspectivas”, do teólogo Gustavo Gutiérrez.
“Estes dois referenciais comemorativos dão a ótica do evento: reler, desde o novo contexto em que vivemos, a tradição latino-americana, tecida em torno da ‘recepção criativa’ do Vaticano II, das práticas das comunidades eclesiais inseridas num contexto de injustiça social, da centralidade da Palavra e da leitura popular da Bíblia, da opção pelos pobres, do testemunho dos mártires das causas sociais e de nossa peculiar reflexão teológica, em perspectiva libertadora”, explicou o teólogo brasileiro Agenor Brighenti.
O essencial desse paradigma teológico não é a teologia, mas a libertação, a experiência encarnada na fé, frisou o professor do Programa de Pós-Graduação em Teologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná.
“Aqui está uma das grandes motivações da convocação desse Congresso, pois temos, cada vez mais, também na América Latina, uma teologia órfã de sociedade e de igreja”, disse.
Brighenti apontou três grandes desafios para a teologia num mundo globalizado, “desafios globais, mas que precisamos assumir desde nosso contexto particular”.
O primeiro desafio é a emergência de uma nova racionalidade, que obriga a repensar paradigmas e pressupostos. O segundo desafio é a emergência de um novo rosto da pobreza. “Pobres não somente como explorados, mas massa que sobra, descartável, constituindo o mundo da insignificância. Trata-se de uma pobreza, subproduto de uma riqueza que se alimenta da escassez da maioria.”
Diante desse quadro, propugnou o teólogo, “também a teologia precisa ser profecia, sobretudo diante do cinismo dos satisfeitos e contribuir para um mundo onde caibam todos, expressão ideal do reino de Deus, de uma fraternidade universal”.
O terceiro desafio vem do pluralismo cultural e religioso, em que é preciso conviver com os diferentes e aprender a se enriquecer com as diferenças.
O Congresso será antecedido, no próximo ano, por quatro pré-Jornadas, com o intuito de mobilizar a comunidade teológica. As Jornadas estão previstas para a Cidade do México, Cidade da Guatemala, Bogotá e Santiago do Chile.

ALC/Notícias Cristãs