João Domingos/BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Numa eventual vitória de Dilma Rousseff na disputa pela Presidência, o PT quer um governo de maioria petista, com prerrogativa de indicar os ministros mais importantes, como os da Fazenda, Educação, Saúde e Casa Civil, além dos presidentes do Banco Central e das megaestatais Petrobrás e Petro-Sal.

O partido quer ficar com o comando da Câmara, para garantir um petista como segundo na linha sucessória do Planalto – o primeiro é o vice-presidente, que no caso da vitória de Dilma seria Michel Temer, do PMDB.

Na prática, tudo isso depende do tamanho com que PT e PMDB, os dois principais partidos da coligação, saírem das urnas. Levantamento recém-concluído pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostra que o PT deve eleger a maior bancada na Câmara – até 110 deputados. O PMDB ficaria em segundo lugar – no máximo 100. No Senado, porém, o PMDB deve conquistar a maior bancada – entre 17 e 19, ante 12 a 15 eleitos pelo PT.

Antes mesmo do resultado, porém, os partidos já se movimentam em busca de mais espaço. Há menos de um mês, o PMDB emitiu sinais de que ambiciona partilhar o poder meio a meio, dispor de assento no Planalto, entre os ”ministros da casa”, e no Conselho Político que assessora o presidente da República. Já o PT não pretende abrir mão de presença majoritária.

Nomes. O partido quer manter Guido Mantega na Fazenda. Dilma gosta de Mantega e pode aceitar a sugestão, mas também tem grande apreço pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para o posto. O atual chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, pode assumir um ministério da área social. Carvalho é citado como opção para a Secretaria de Direitos Humanos ou para a Secretaria-Geral da Presidência, hoje nas mãos de Luiz Dulci, que não deve permanecer na equipe.

Ao contrário do presidente Lula, que encheu seu primeiro Ministério com os derrotados nas urnas de 2002, Dilma avisou que não repetirá o gesto do padrinho. O senador Aloizio Mercadante seria a exceção – porque aceitou o sacrifício de disputar o governo de São Paulo quando poderia ter tentado a reeleição para o Senado.

A candidata garante que ainda não discute cargos. ”Só falo sobre isso depois de outubro, e se vencer a eleição”, diz. Com origem no PDT de Leonel Brizola, Dilma só se filiou ao PT há dez anos. Só ganhou força no partido com o patrocínio de Lula. Avalia que o namoro com o PT não vai durar muito e já tem sinais disso, emitidos principalmente pelos setores comandados pelo ex-deputado José Dirceu. Nos bastidores, ele tenta impedir que o deputado Antonio Palocci fique com um cargo importante.

Para se blindar de ataques, a candidata cercou-se de três petistas fortes, um deles justamente Palocci. Os outros são José Eduardo Dutra (presidente do PT) e José Eduardo Marins Cardozo (secretário-geral do partido). Este último deverá ocupar o cargo de ministro da Justiça. Dutra ficará no comando do PT e Palocci poderá virar ministro.

Câmara. Oficialmente, o PT não gosta de falar da disputa de bastidores com o PMDB pela hegemonia no eventual governo de Dilma. ”Discussão sobre equipe de governo só começará a ocorrer depois da eleição, se a candidata for eleita”, diz Dutra.

Ele, no entanto, tem reunido dirigentes petistas nos Estados e feito um prognóstico bem favorável ao partido, tanto para a eleição da Câmara quanto para a do Senado. É diante dessa perspectiva que o PT quer a presidência da Câmara, que vem sendo reivindicada por Henrique Eduardo Alves (RN), atual líder do PMDB na Casa.

”Para nós é fundamental a presidência da Câmara”, argumenta Dutra. ”Por um motivo muito simples: o presidente da Câmara é o segundo na linha sucessória.” E quanto ao presidente do Senado? Dutra diz que pode ficar com o PMDB. E o mais provável e o melhor para um eventual terceiro mandato petista é uma nova eleição de José Sarney (PMDB-AP). / COLABOROU VERA ROSA

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