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Nova ministra da Casa Civil tem longa vivência no círculo petista, já trabalhou para Celso Daniel, goza da confiança de Lula e só não foi empossada em abril, por interferência de Dilma Rousseff.

Miriam Belchior e a ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra, durante a cerimônia de divulgação do 10º balanço do PAC, em junho deste ano

Miriam Belchior, secretária executiva do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), deve assumir na próxima semana o comando da Casa Civil, após a queda de Erenice Guerra. Ela esteve cotada para assumir a pasta logo após a saída de Dilma Rousseff, que renunciou ao cargo para concorrer à Presidência, mas foi preteria por Erenice a pedido de Dilma. Até o anúncio oficial do nome de Miriam, quem comanda a pasta interinamente é Carlos Eduardo Esteves Lima, atual secretário-executivo da Casa Civil

A provável nova ministra-chefe da Casa Civil integra o círculo de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a convidou para integrar a equipe de transição em 2002, ano em que foi eleito pela primeira vez. Miriam também é amiga de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula. Os dois trabalharam como secretários em Santo André, no ABC Paulista, na gestão de Celso Daniel, assassinado em 2002.

Ela foi casada com Celso Daniel durante 10 anos, mas o casal já estava separado quando o ex-prefeito foi assassinado. As circunstâncias ligadas à morte ganharam contornos políticos quando se descobriu no curso das investigações que funcionava em Santo André uma quadrilha que tomava dinheiro de empresas de ônibus e mantinha um caixa dois que, segundo denúncia do irmão do prefeito Celso Daniel, financiava campanhas do PT. O irmão do prefeito morto, o médico João Francisco Daniel, chegou a apontar Miriam como uma das integrantes do esquema. Em depoimento ao Ministério Público, ela negou qualquer participação no caso.

Miriam ocupou o cargo de assessora especial da Presidência da República até ser chamada em 2003 pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu, para integrar o ministério. Até a saída de Dilma, ocupou a função de subchefe de Avaliação e Monitoramento da pasta.