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BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) – A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira que também se sente “vulnerável” com as quebras de sigilos fiscais na Receita Federal.

“(Eu me sinto) tão vulnerável quanto a população brasileira”, disse a jornalistas. Ela esteve com o presidente colombiano Juan Manuel Santos, em São Paulo.

Desde junho, a imprensa vem noticiando denúncias de quebra de dados fiscais sigilosos da Receita Federal. Até agora, cinco pessoas ligadas ao candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, tiveram seus dados sigilosos quebrados.

O tucano tem acusado diariamente tanto o PT quanto a campanha de Dilma Rousseff pelas quebras e culpou o partido pelo desprestígio da Receita Federal.

Marina afirmou que é legítimo o tucano se sentir atingido pelas denúncias. Entretanto, disse que é preciso apurar antes de acusar.

“Não podemos combater um erro com o risco de cometer o mesmo erro que é fazer acusações antes de termos as provas… Os indícios não bastam. É preciso que se apurem os fatos”, disse Marina.

VÍDEO

Marina também voltou a cobrar nesta quinta-feira um posicionamento do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre os episódios de violação de dados sigilosos.

“Ninguém sabe o que de fato está acontecendo na Receita Federal. É hora de o ministro Guido Mantega quebrar o silêncio, vir a público para dar uma satisfação para a sociedade brasileira”, disse Marina em vídeo divulgado em seu site.

A candidata classifica o episódio como “lamentável” e lembra que, apesar do “contorno eleitoral”, milhões de brasileiros também estão “fragilizados”, diante das evidências de violação de dados fiscais da Receita Federal.

“Não se pode admitir que, em uma situação como essa, o ministro da Fazenda fique em silêncio, em uma verdadeira atitude de omissão, sem dar uma palavra sobre um episódio com esse nível de gravidade”, defendeu a senadora.

A campanha contra a omissão de Mantega se estende também à página do Twitter da candidata.

Ao deixar o Ministério da Fazenda na tarde desta quinta-feira, Mantega afirmou a jornalistas que não cogita exonerar o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo. A Receita está investigando as violações de dados.

(Reportagem de Bruno Peres, de Brasília, e Hugo Bachega, de São Paulo)