RECIFE (PE)- A candidata do PV à sucessão presidencial, Marina Silva, não conseguiu disfarçar a irritação, neste sábado, em seu último dia de visita a Recife, quando um repórter indagou sua posição sobre o uso de células-tronco embrionárias. Na sexta-feira, a Agência de Drogas e Alimentos dos Estados Unidos (FDA) anunciou que vai liberar o uso dessas células para uma primeira aplicação em humanos.
– Posso fazer uma pergunta? Por que vocês (jornalistas) nunca se interessam pelo que a gente está fazendo? Tenho muito respeito por vocês, são meus parceiros, mas será que isso (a visita ao Coque, um dos bairros mais pobres da capital) não tocou ninguém? Já falei tantas vezes sobre célula-tronco. Mas será que ninguém está interessado nisso aqui? Se ninguém faz nada, as crianças vão continuar morrendo e pedindo esmola no sinal – reclamou, para em seguida dizer ser contra a pesquisa com células-tronco embrionárias: – Sou favorável a pesquisa com células-tronco adulta.
Mais cedo, Marina já havia reclamado dos preconceitos que sofre por parte da sociedade por ser “evangélica” e advertiu que não se pode privar aqueles que seguem essa orientação religiosa de ter os “seus alinhamentos políticos”, porque quem o fizer estará condenando a “segregação política uma comunidade que é muito importante para o país”.
– Já fui discriminada por ser pobre, por ser negra, por ser mulher. Agora tenho sofrido preconceito por ser evangélica, o que é estranho. Porque, graças a Deus, eu sei que o Estado é laico. E Estado laico não é estado ateu, mas para favorecer os que creem e os que não creem. Do mesmo jeito que quero ter o direito de professar a minha fé, a Constituição assegura o direito de quem não tem fé nenhuma e de quem professa uma outra fé, que não é a minha, a cristã evangélica. O que não se pode privar é aos cristãos evangélicos de terem seus alinhamentos políticos. Se não, a gente vai fazer segregação política de uma comunidade que é muito importante para o nosso país – disse Marina.

Globo/Notícias Cristãs