Helga Cirino, do A TARDE

Dados do Centro de Documentação e Estatística Policial (Cedep) indicam que 115 mulheres foram assassinadas na Bahia de janeiro a junho deste ano. O número representa 5,4% dos 2.116 homicídios ocorridos no Estado neste mesmo período. Embora ainda pequena, a taxa de 3,5 homicídios de mulheres no Estado por grupo de 100 mil habitantes é maior que a média mundial de 2,6 mortes, de acordo com o estudo Mapa da Violência no Brasil 2010, do Instituto Zangari, com base nos dados do Sistema Único de Saúde (SUS).
Historicamente, os assassinatos eram praticados, em sua maioria, por maridos, ex-companheiros ou namorados e tinham como principal motivação a passionalidade. “Mas, agora, boa parte das mortes, mesmo de mulheres, está ligada de alguma forma ao tráfico de drogas”, afirmou o diretor do Departamento de Narcóticos (Denarc), Cleandro Pimenta.

O delegado explica que o principal motivo da mudança tem origem na ligação do grupo feminino com vendedores de entorpecentes. “Eles utilizam companheiras, namoradas e até irmãs e mães para esconder drogas. Nas disputas entre eles, muitas acabam sendo o alvo  dos criminosos”, analisou.

A acusada de tráfico de drogas Euflorzinha Santiago dos Santos, 35 anos, confirmou os motivos expostos pelo delegado. Há um ano detida na carceragem da 9ª CP (Delegacia da Boca do Rio), ela conta que começou a traficar aos 16 anos por influência do primeiro marido. “Quando meu filho tinha quatro anos, meu ex fugiu me deixando com a droga e a criança. Assim fui presa pela primeira vez”, lembrou.

Nos anos que se seguiram ela foi presa outras vezes. “Peguei cadeia por causa dele, meu ex-marido. Um belo dia ele foi assassinado por traficantes”, lembrou. Euflorzinha está presa há um ano, segundo ela, porque vizinhos teriam conseguido fugir de uma abordagem policial, abandonando com ela pedras de crack.