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Bruno chega à Delegacia de Homicídios após deixar presídio de MG - Reprodução

Bruno chega à Delegacia de Homicídios após deixar presídio de MGO goleiro Bruno, o amigo Luiz Henrique Romão – o Macarrão – e o ex-policial civil Marcos Aparecido Santos, também conhecido como Paulista, Bola ou Neném, se recusaram a ceder material para exame de DNA, afirmou o delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigações da Polícia Civil de MG em entrevista coletiva concedida no fim da manhã desta sexta-feira (9).

Os três são suspeitos do assassinato da ex-modelo Eliza Samudio, 25 anos, que brigava na Justiça pelo reconhecimento da paternidade do filho que alegava ser do goleiro.

De acordo com Moreira, eles foram orientados pela defesa a não fornecerem material à polícia. “Ninguém é obrigado a oferecer prova contra si mesmo. Estão orientando os clientes deles a não oferecer prova, é um direito deles”, disse Moreira.

Motivo

O delegado afirmou na coletiva que acredita que o crime tenha sido motivado por vingança. A retaliação seria consequência de uma série de denúncias feitas por Eliza contra o jogador. Ela afirmou que foi ameaçada de morte por ele duas vezes e coagida a tomar remédio abortivo. No vídeo em que revela o episódio, ela diz que procurou a Polícia para que eles fosse responsabilizado por qualquer coisa que acontecesse com ela.

“Entendo a que motivação está na paternidade e na vingança, tendo em vista a denuncia feita por Eliza”, disse Moreira.

Entenda o caso
Eliza Samudio, 25 anos, desapareceu no dia 4 de junho. O último contato conhecido dela foi com a advogada Anne Faraco, que acompanhava o reconhecimento da paternidade do filho de quatro meses que dizia ser de Bruno Fernandes, à época goleiro e capitão do Flamengo. Eliza avisou no telefonema que iria a Minas Gerais encontrar o jogador, pois ele havia concordado em fazer um exame de DNA.

Nos meses anteriores, a modelo tinha levado à imprensa do Rio de Janeiro a notícia de que estava grávida de Bruno. A criança teria sido concebida no primeiro encontro dos dois em um churrasco em maio de 2009, quando o atleta já era casado com Dayanne Souza.

Em outubro, Eliza denunciou ter recebido ameaças de Bruno, que pressionava para que abortasse a criança. A Justiça determinou que o atleta mantivesse, pelo menos, 300 metros de distância dela.

Quando o bebê nasceu, em fevereiro deste ano, a ex-amante passou a negociar as condições para que Bruno assumisse a paternidade. Ela batizou a criança com o mesmo nome do jogador. Um mês depois, ela foi ao Rio e enviou uma mensagem para sua advogada: “Estou no mesmo hotel que fiquei aquela vez, se acontecer algo, já sabe quem foi”. O advogado do jogador rejeitou o acordo proposto por ela na ocasião.

Em 24 de junho, a Delegacia de Homicídios de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, onde ficava o sítio de Bruno, recebeu uma denúncia de que Eliza havia sido levada para o local, onde teria sido assassinada. Foi quando as polícias fluminense e mineira começaram as buscas por Eliza.

Dois dias depois, a mulher do jogador, Dayanne, foi autuada “por subtração de incapaz” por ter entregado filho de Eliza a uma amiga.

Na segunda-feira (28 de junho), a Polícia de Minas Gerais fez as primeiras buscas no sítio do atleta. No dia seguinte, a perícia encontrou vestígios de sangue no carro de Bruno, retido por falta de licenciamento em uma blitz no dia 8 do mesmo mês. Mais tarde, um exame mostrou que se tratava do sangue de Eliza.

A testemunha-chave do caso, um adolescente de 17 anos, que é primo do goleiro, apareceu em 6 de julho e confirmou ter participado do seqüestro de Eliza, ao lado de Luiz Henrique Romão – mais conhecido como “Macarrão”, que era funcionário de Bruno.

O menor de idade disse que ambos levaram a mulher para o sítio do jogador e que, de lá, ela havia sido entregue e ex-policial civil e suposto traficante Marcos Aparecido do Santos, conhecido também como “Bola”, “Paulista” e “Neném”, na cidade de Vespasiano, na Grande Belo Horizonte. Ele seria o responsável pela morte de Eliza, por estrangulamento.

O adolescente disse ainda que o traficante desmembrou a mulher e deu as partes do corpo dela para que cachorros comessem. Segundo a Polícia de MG, Bruno teria acompanhado a entrega de sua ex-amante ao criminoso e presenciado o assassinato.

Bruno, sua esposa e Macarrão, além de mais cinco pessoas envolvidas no crime, tiveram sua prisão decretada após o encerramento do depoimento do adolescente, no dia 6 de julho.

O jogador e seu funcionário já foram indiciados pela Polícia do Rio pelo sequestro ocorrido em junho deste ano e, pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ), por sequestro, cárcere privado e lesão corporal, por conta do incidente de 2009, onde teriam tentado forçar Eliza a abortar a criança que ela carregava.