do Correio*

Imagens registradas pelo circuito interno do local já estão com a polícia

“Klebinho” já cantou no É o Tchan, entre 2009 e 2010, sendo substituido por Beto Jamaica no início deste ano A carreira do cantor de pagode e axé Kléber de Jesus Menezes, o Klebinho, estourou junto com o pipoco da pistola do sargento da Polícia Militar Gepson Araújo Franco, da 47ª Companhia Independente (Centro Administrativo da Bahia). O palco foi a boate de strip-tease Eros, na Pituba. Por volta das 4h30 da madrugada deste domingo, o pagodeiro e o policial se engalfinharam depois que o sargento mexeu com a namorada de Kléber.

 Em depoimento ontem na 16ª Delegacia, na Pituba, Kléber alegou que o disparo foi acidental. Na briga, contou ele, a arma de Gepson disparou e atingiu o peito do próprio PM, que morreu na hora. Por não ter sido preso em flagrante, Kléber vai responder pelo crime em liberdade.

 

Ansceção e declínio em 5 anos de carreira

Na Eros, Kléber desempenhava um papel ao qual não estava habituado: o de espectador. Desde 2005, ele canta em conhecidas bandas de pagode de Salvador e se apresenta em várias cidades do país. Bem antes de Léo Santana pensar em botar a mão na cabeça e começar o Rebolation, quem quebrava nos microfones do Parangolé era Klebinho. Ele ficou na bandade 2005 a 2007. Mas sua passagem pelo grupo foi apagada.

O pagodeiro começou a ficar conhecido quando foi convidado para cantar na Patrulha do Samba, em 2008. Naquele ano, ele comandou a banda no Carnaval de Vitória, no Espírito Santo. Com a Patrulha, ele estreou na televisão, onde se apresentou por duas vezes. A estreia foi no programa Sabadaço, da Band. Depois, a banda participou do programa Que Venha o Povo, da TV Aratu.

Do Sabadaço, ele rebolou para uma campanha publicitária da prefeitura de Salvador. Em 2009, Kléber interpretou um jingle para conscientizar a população sobre o perigo de jogar lixo nas encostas. “A campanha foi ao ar várias vezes em horário nobre. Ele ficou muito mais conhecido na cidade”, disse um produtor que trabalhou com o pagodeiro.

Boate de strip-tease Eros, na Pituba, onde ocorreu o crime: Kléber alega legitima defesa 

Depois, Kléber desceu as encostas da cidade para subir no trio da banda É o Tchan!. O Carnaval de 2009 estava próximo e Compadre Washington nervoso. Às vésperas da festa, ele não tinha parceiro para dividir os vocais da banda. Foi desta solidão pré-carnavalesca que Kléber virou o compadre dos vocais de Washington.

Ele ajudou a puxar o trio na folia de Brasília em 2009 e 2010. “Depois que ele ficou conhecido, virou um mulherengo. Como todo cantor de pagode”, contou um amigo de Kléber. Assim que as cinzas cobriram a quarta-feira do Carnaval deste ano, Kléber foi substituído por Beto Jamaica.

Investigação

O delegado André Carneiro Cunha, responsável pela investigação, aguarda agora os laudos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) para encaminhar o inquérito ao Ministério Público Estadual (MPE).

“A perícia vai apontar se a arma usada no crime foi mesmo a do policial, vai revelar a distância e a direção do disparo”, explicou. Cunha solicitou também exame de chumbo particulado das mãos de Kléber e Gepson para saber quem apertou o gatilho na hora da briga. Além disso, pediu o exame, a arma do PM e munição e análise das impressões digitais de Kléber.

As imagens registradas pelo circuito interno da boate também já foram entregues aos peritos. Através delas, será possível apontar se não havia outros envolvidos no episódio. “Vamos esgotar todas as possibilidades”, assegurou o delegado.

Kléber Menezes, de boné, na época em que cantava no É o Tchan 

Outro fator importante na investigação, segundo André Cunha, são as testemunhas. No dia do crime, ele chegou a ouvir, informalmente, funcionários e clientes da boate, mas ontem, apenas quatro pessoas compareceram à delegacia. “Os relatos serão importantes para confrontarmos com as declarações do acusado”.

Além das testemunhas, o delegado disse que fará parte deste inquérito a fase de acareação, no caso inconsistência nos depoimentos, e até a reconstituição dos fatos. A reportagem do CORREIO tentou entrar em contato com Kléber de Jesus Menezes, mas ele não atendeu às ligações telefônicas.