do A Tarde

Preso exibe marcas das agressões no IML

Presos custodiados na cadeia pública do Complexo Penitenciário de Salvador, em Mata Escura, foram submetidos a exame de corpo delito, na noite de quinta-feira, 1º, no Instituto Médico Legal (IML). Eles acusam agentes carcerários da unidade de agressão física e maus-tratos desferidos contra eles no dia 23 de junho, véspera de São João.

Algemados de dois em dois, eles mostraram marcas no corpo deixadas pelos instrumentos usados nas agressões. Evitando identificar-se, por receio de represálias, contaram que naquele dia foram  levados, despidos, para o pátio da unidade, e submetidos a choques, espancamento e tortura psicológica.

 

“Não temos acesso aos agentes. Para chamá-los temos que bater nas grades. Tinham presos doentes, batemos para chamar assistência”, disse um deles. A agitação dos presos teria sido interpretada como motim, daí levando à adoção de medidas de disciplina, que incluiu uso de spray de pimenta nos olhos, conforme relataram.

Os presos alegam que não há condições de fazerem motim por causa da estrutura da cadeia, que dificulta a comunicação entre eles. Inaugurada no dia 24 de maio, último, a cadeia tem capacidade para 752 presos e conta, hoje, com 411 internos. Eles também reclamam de estarem vestidos com a mesma roupa, há mais de um mês.

“Erramos e estamos pagando pelos nossos erros, mas somos seres humanos e só perdemos o direito de ir e vir”, disse um deles, na antessala do IML. Ao todo, 68 presos foram conduzidos ao IML por 12 policiais militares.

Sindicância – O superintendente de Assuntos Penais da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Isidoro Orge, informou que o exame no IML faz parte da sindicância que apura o caso.

Segundo ele, naquele dia houve princípio de tumulto e com a reação dos presos às medidas de contenção, teria havido excesso por parte dos agentes. “Tomamos conhecimento do fato posteriormente e abrimos uma sindicância para avaliar  as condições dos internos e verificar quem foram os culpados e tomar as medidas punitivas cabíveis”.

O superintendente negou que os presos estivessem nus durante a ação dos agentes e que eles tenham apenas uma muda de roupa. “Não é permitida, nem aceita a prática de agressões contra os presos pela Secretaria da Justiça”.