do A Tarde

O lavrador Nicolau Pereira Leite tem esperança de que a chuva aconteça em outubro e novembro

 Os moradores de diversos povoados e assentamentos na zona rural de Muquém do São Francisco, a 710 km de Salvador, somando 1.450 pequenas e médias propriedades, estão enfrentando dificuldades de sobrevivência por causa da seca que assola o município.

 Para minimizar os problemas de falta de água e comida, a administração municipal decretou situação de emergência, que foi homologada pelo governador Jaques Wagner por meio do Decreto 12.159/2010, facilitando a vinda de ajuda à população. Com clima de seco a semiárido, a precipitação pluviométrica anual no município é de 985,4 mm em média.

 

Porém, de acordo com o secretário municipal da Agricultura, Gilmar da Silva, na última estação chuvosa este índice não chegou a 700 mm, “comprometendo todas as atividades agropecuárias, com o agravante de que, na maioria das famílias, não há outras perspectivas de sustento”. O milho, uma das principais culturas do município, foi plantado em uma área de 2.900 hectares, com estimativa de produzir 4.350 toneladas.

“Mas os pés nem cresceram direito e, nas poucas espigas, não tem grãos”, reclamou o produtor rural Joaquim Souza, 52 anos, afirmando que a situação está difícil, “até mesmo para conseguir água para beber”.  Segundo o prefeito José Nicolau (PMDB), emergencialmente o Exército  distribui água em carros-pipa para as famílias que não têm condições de conseguir a própria água e moram longe do Rio São Francisco.

Ele disse ainda que 600 cestas básicas já foram distribuídas para famílias mais necessitadas e que outras devem chegar, ainda sem previsão. A esperança da população é que a próxima temporada de chuvas seja melhor que a passada. Com base na sabedoria popular, o produtor Nicolau Leite, 84 anos, está convencido disso.

“Diziam os mais velhos que, se ficasse o tempo nublado entre o São João e o São Pedro, haveria chuva boa a partir de outubro e novembro”, afirmou, apontando as nuvens que cobriram o céu.