Tribuna da Bahia
Luiz Fernando Lima

A direção regional do PT realiza, na manhã deste domingo (27), a convenção estadual do partido para homologar, de forma oficial, a candidatura do governador Jaques Wagner para as eleições de outubro. Na ocasião, serão definidos também os números dos candidatos para deputado estadual e federal. Contudo, para o presidente do diretório na Bahia, Jonas Paulo, a convenção é apenas uma formalidade.

Jonas minimizou a importância do evento, por considerar que a decisão de composição da chapa majoritária foi tomada durante o congresso estadual dos dias 15 e 16 de junho. Na oportunidade, a coligação anunciou os nomes de Jaques Wagner e Otto Alencar, candidatos a governador e vice, além dos postulantes ao Senado Lídice da Mata (PSB) e Walter Pinheiro (PT).

O nome de Pinheiro foi escolhido após a investida do partido para trazer o senador carlista, César Borges (PR), não dar certo. Para sair candidato, o ex-secretário estadual de Planejamento ainda se viu obrigado a vencer Waldir Pires em disputa interna entre os militantes do PT. “Mas, felizmente, fechamos uma chapa bem competitiva”, comemorou Jonas Paulo.

De acordo com o dirigente petista, não faz parte da cultura do PT “espetacularizar” os congressos partidários. “Nós não fazemos festa de oba-oba. Vamos fazer um evento fechado para preparar as ações para a eleição”, alfinetou o presidente numa clara alusão à convenção do PMDB realizada na última segunda-feira, onde foi homologada a candidatura do ex-ministro Geddel Vieira Lima ao governo do estado.

Além da candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, que conta com dois palanques no estado, estava presente o candidato a vice, Michel Temer (PMDB).

Como parte de seu comprometimento com o palanque duplo no quarto colégio eleitoral, Dilma também marcará presença na convenção petista. Já a presença de Temer não está garantida. No entanto, a executiva estadual do partido da ex-ministra de Lula prefere não polemizar caso a ausência de Temer se confirme.
“Estamos tranquilos para fazer uma grande campanha”, ressalta o presidente da legenda. Tanto petistas como peemedebistas fazem questão de declarar que Dilma deve se sentir à vontade na Bahia. As lideranças dos dois partidos garantiram que a aliança entre as legendas para a Presidência está consolidada e que a disputa regional não vai interferir em nada neste quadro.

A presença do presidente Lula, bastante cogitada no meio político baiano, foi enfaticamente descartada por Jonas Paulo, que disse que o mandatário nacional sequer foi convidado para comparecer à cerimônia na capital baiana. “Nunca, em 30 anos de PT, nos preocupamos com convenções”, reiterou.

Coligação na proporcional

O imbróglio para distribuição da coligação na proporcional dos partidos da base do governador deve acabar hoje. Na composição para o parlamento federal, todas as legendas devem sair em uma só chapa, o chamado “chapão”. Já para estadual, os líderes dos sete partidos vão se reunir nesta tarde para tentar desenhar a configuração. O que se sabe é que nomes serão cortados para adequar a quantidade de candidatos aos limites impostos pela lei eleitoral.

De acordo com Jonas Paulo, seu partido está aberto às alianças com todos os outros da base. “Somos coerentes, queremos fazer coligações. Só não podemos ignorar o desejo de nossa bancada (PT), que se sente no direito de aumentar o número de parlamentares”, explica.

O presidente endossa seu argumento na projeção de votos que o partido deve receber nas eleições. Segundo ele, a expectativa é de que seja algo em torno de 1, 8 milhão, o que daria para eleger entre 16 e 17 deputados estaduais. “A meta do PT é aumentar a bancada em 40%”, revelou. Se o objetivo for alcançado, o número de deputados petistas subirá de 10 para 14. A ideia é lançar 50 nomes para a disputa, sobrando para os aliados 76. Isto, considerando o percentual de 30% que deve ser preenchido por mulheres.

O secretário estadual do PP, Jabes Ribeiro, garante que entre seu partido e o Partido dos Trabalhadores está tudo bem definido. Atualmente, são seis os progressistas na Assembleia Legislativa, segunda maior bancada de apoio ao governo na Casa, e a legenda pretende manter esse número. “Apenas Luiz Argolo, que é candidato a deputado federal, sai desta disputa, mas temos outros nomes”, defendeu.

Além do PP, o PDT e o PRB parecem estar em consonância com os petistas. O problema a ser solucionado envolve o PCdoB, PSB e PSL. Os comunistas declararam-se insatisfeitos com a postura do PT, mas ainda aguardam por uma solução pacífica. Segundo o deputado Álvaro Gomes (PCdoB), seu partido deve lançar 40 nomes para disputa estadual e projeta eleger três ou quatro parlamentares.

“Tivemos 240 mil votos nas eleições passadas, sem a penetração que temos atualmente no interior do estado”, defendeu. Corre nos bastidores que o PSL, atualmente com um deputado na AL, condicionou o apoio à reeleição de Wagner a uma coligação na proporcional com o PSB, que também tem um deputado no parlamento.

Até o fechamento desta edição, os dirigentes do partido socialista não foram encontrados para comentar o impasse. O presidente do PT, no entanto, é taxativo quando defende que o seu partido não é a razão dos impasses. De acordo com Jonas Paulo, “a discussão proporcional não é ideológica nem programática, é aritmética e eleitoral”. (LFL)