Vinicius Konchinski
Enviado especial

Joanesburgo – Um grupo de supostos torcedores reúne-se todo dia em frente a um dos postos oficiais de venda de ingressos para os jogos da Copa do Mundo. Usando camisetas e agasalhos de várias seleções participantes do torneio, eles conversam uns com os outros sobre quais serão os jogos mais concorridos do torneio e quanto vale o ingresso para cada um deles.

A entrada para o jogo de amanhã (25) entre o Brasil e Portugal, por exemplo, vale US$ 400 (cerca de R$ 720) na mão de um cambista argelino. No site da Federação Internacional de Futebol (Fifa), custava US$ 80 (cerca de R$ 145). “Esse [ingresso] está disputado”, justifica o cambista, antes de encerrar a conversa, após ser informado de que falava com um jornalista.

Os supostos torcedores passam no local, que fica em uma das áreas mais movimentadas da cidade, horas falando sobre os mesmos temas, como se fossem fãs fanáticos das seleções de seus países. Mas são cambistas de diversas nacionalidades que atuam livremente na principal cidade-sede da Copa.

Sem qualquer discrição, eles oferecem ingressos que já estão esgotados nos postos oficiais de venda. Com os cambistas, o preço é calculado em dólar e o ingresso saem bem mais caro do que o estipulado na tabela da Fifa. Os cambistas exibem maços de bilhetes de diferentes categorias e para diversos jogos, repassando a qualquer um que aceite pagar o valor pedido.

Um “torcedor” norte-americano, com muitas entradas paa vender, afirmou, sem se identificar à reportagem, que esta é sua quinta Copa do Mundo. “Toda Copa faço a mesma coisa”, disse ele, que trabalha em parceria com alguns compatriotas. O americano não tinha mais ingressos para o jogo entre o Brasil e Portugal, mas oferecia entradas para vários outros jogos. “Oitavas de final, quartas de final, semifinal… O que você quer?”, perguntou ao repórter.

A Fifa chegou a exigir dos compradores de ingressos para os jogos da Copa o número de um documento de identificação para evitar a revenda irregular. A apresentação desse documento pode ser exigida do torcedor na entrada dos estádios, mas dificilmente isso acontece.

A polícia da África do Sul informa, em comunicados, que foram detidos vários suspeitos de venda ilegal de ingressos em diversas cidades do país.

Os cambistas de Joanesburgo, entretanto, parecem não temer a prisão. “Os ingressos são autênticos, comprados por mim mesmo”, diz o cambista americano. “Vendo para quem quiser.”

Edição: Nádia Franco