Gazeta Espotiva

A África do Sul aproveitou a crise da França para vencer pela primeira vez na Copa do Mundo de 2010. Nesta terça-feira, no estádio Free State, em Bloemfontein, a equipe comandada por Carlos Alberto Parreira contou com o apoio da população local para ganhar da seleção europeia por 2 a 1. O resultado não foi suficiente para evitar a eliminação precoce dos dois times.

Com a vitória por 1 a 0 sobre o México, o Uruguai chegou aos 7 pontos e confirmou a liderança do grupo A. A África do Sul alcançou os mesmos 4 pontos dos mexicanos, mas levou desvantagem no saldo de gols – foi a primeira seleção anfitriã de um Mundial a cair na etapa inicial do torneio. Campeã mundial em 1998, a França somou apenas 1 ponto e ficou na lanterna da chave.

Ao contrário de 2002, ao menos os franceses se despediram da Copa com um gol marcado. Mas as adversidades foram muito maiores desta vez: os insultos de Anelka contra o técnico Raymond Domenech no intervalo da derrota para o México, a briga entre Evra e o preparador físico Robert Duverne e a recusa do elenco a treinar foram alguns dos episódios que culminaram na trágica campanha.

O jogo – Os jogadores da França tentaram demonstrar certa união depois da crise que assolou a delegação. Como de costume, a equipe se abraçou durante a execução do hino nacional. Mas mesmo neste momento os problemas transpareceram: alguns atletas apenas balbuciavam a Marselhesa sem empolgação, e outros preferiam mascar chiclete.

Distante dos seus reservas, o treinador Raymond Domenech aplaudiu a harmonia da música. Em seguida, os sul-africanos deram a sua demonstração de patriotismo. Comissão técnica, jogadores, torcedores e até os voluntários que seguravam as bandeiras do cerimonial vibraram com o hino da nação anfitriã. Foi o estopim para as vuvuzelas soarem no Free State.

Quando a partida começou, a África do Sul levou o entusiasmo do público para dentro de campo. A França tentou fazer prevalecer a sua superioridade técnica, permanecendo com a bola no setor ofensivo, mas não era capaz de igualar os donos da casa em disposição. Promovido a titular após o corte de Nicolas Anelka, o atacante Dijbril Cissé era pouco acionado.

Aos 20 minutos, a França sofreu mais um golpe na Copa do Mundo. O goleiro Lloris não alcançou a bola em cobrança de escanteio, e Khumalo dividiu com a defesa para cabecear para o gol. Festa em Bloemfontein. Habitualmente sereno à beira do campo, Carlos Alberto Parreira abriu um sorriso tímido em meio à comemoração dos torcedores sul-africanos.

A França fez o possível para não se abater. O time europeu continuava com mais posse de bola naquele instante (52% contra 48%), porém pouco incomodava o goleiro Josephs. Aos 26 minutos, perdeu ainda mais o seu poderio no ataque. Gourcuff acertou o cotovelo em um adversário em uma disputa pelo alto, e o árbitro colombiano Óscar Ruiz não hesitou em mostrar o cartão vermelho.

A África do Sul queria tirar proveito da vantagem numérica imediatamente. Orientada por Parreira, a equipe da casa começou a trocar passes com mais tranquilidade, à procura de espaços. Aos 37, a zaga francesa não conseguiu afastar um cruzamento da esquerda e a bola sobrou para Masilela jogar na pequena área. Mphela recebeu e completou para o gol vazio.

A França ainda esboçou uma reação em cobrança de falta de Ribéry, que foi bem espalmada por Josephs. Raymond Domenech seguiu apático no banco de reservas, já com esperanças de corrigir os erros apenas no intervalo da partida. A sua equipe voltou para o segundo tempo com Malouda no lugar de Gignac, que pouco produziu na etapa inicial.

Ciente de que precisava de gols para se classificar às oitavas de final, a África do Sul recomeçou o jogo com a mesma formação, mas disposta a pressionar. Aos cinco minutos, Tshabalala deu ótima assistência para Mphela chutar na saída de Lloris. A bola acertou caprichosamente o travessão. A torcida foi ao êxtase, e Parreira logo trocou Ngcongca e Parker por Gaxa e Nomvethe.

Com Henry no lugar de Cissé, entretanto, a França abalou as esperanças dos sul-africanos aos 25 minutos. Sagna fez lançamento para Ribéry nas costas da defesa rival. O meia avançou e passou para Malouda empurrar a bola para o gol. As vuvuzelas não diminuíram a intensidade. O time de Parreira, ao contrário, perdeu força. Mas deixou a sua Copa do Mundo sob aplausos.