da Folha

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira ser a favor da união civil e da adoção de crianças por casais homossexuais.

“Tem tanto problema grave de crianças abandonadas no Brasil. Isso vale para qualquer tipo de casal, qualquer tipo de pessoa. Não vejo por que não aprovar isso”, disse ele durante sabatina da Folha.

O tucano disse ser a favor, “em geral”, de ações afirmativas. Ele defendeu o modelo adotado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). “Na Unicamp você tem pontos se você veio de escola pública, se tem cor negra. É diferente e tem funcionado bem.”

Dilma Rousseff (PT) também defende o direito de os casais gays adotarem crianças. Marina Silva (PV), que é evangélica, sempre escapa dessa pergunta. Há meses, diz que ainda não formou opinião.

Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Candidato do PSDB à Presidência, José Serra participa de sabatina da Folha e do UOL
Candidato do PSDB à Presidência, José Serra participa de sabatina da Folha e do UOL

Serra afirmou que não é a favor da descriminalização das drogas e disse que não mexeria na atual legislação sobre o aborto. “Liberar o aborto criaria uma verdadeira carnificina no país.”

BC

Serra voltou a explicar hoje a afirmação de que o Banco Central não é a Santa Sé. “Eu disse algo muito óbvio. Acho que tem que funcionar direito, tem que ser entrosado.”

Em uma alfinetada no governo, ele afirmou que terá uma equipe entrosada, sem divergências públicas entre o BC e os ministérios da Fazenda e do Planejamento. “Não pode ter uma política que vai para um lado e uma que vai para o outro. Com esse entendimento, vamos conseguir fazer uma bela política econômica.”

Ditadura

Perseguido pelos militares, Serra disse que era contra a luta armada e não poderia ficar no Brasil como clandestino. “Viver na clandestinidade, se você tem cara conhecida, é praticamente impossível.”

O tucano disse que salvou o petista Marco Aurélio Garcia, coordenador do programa de Dilma, no Chile. “Eu o ajudei no Chile, quando teve o golpe lá [em setembro de 1973]. Chamei o Paulo Renato [Souza] para ele levar o Marco Aurélio a uma embaixada que eu mesmo tinha aberto.”

Ele ainda brincou com o aliado Aloysio Nunes Ferreira, candidato ao Senado pelo PSDB, sentado na primeira fila do Teatro Folha. “Luta armada, eu nunca acreditei. Tem amigos meus que acreditaram. Vou olhar de levinho aqui…”

Aposentados

Serra também falou sobre o reajuste de 7,7% para os aposentados, sancionado na semana passada pelo presidente Lula. “Quem está lá tem o domínio dos números.”

Ele defendeu, sem entrar em detalhes, uma reforma previdenciária que não mexa em direitos adquiridos. O tucano lembrou de sua época de constituinte, em que diz ter defendido “um novo sistema, pra quem está nascendo hoje”.

PV

Após o PSDB nacional oficializar apoio neste fim de semana à candidatura de Fernando Gabeira (PV) ao governo do Rio de Janeiro, o tucano afirmou hoje que Gabeira é “um grande quadro” de sua geração. O palanque do deputado no Rio está dividido entre ele e Marina.

Questionado sobre se acha que herdará os votos de Marina num eventual segundo turno com Dilma, Serra afirmou que adoraria. “Eu adoraria ser o herdeiro, mas a decisão não é minha, é dos eleitores.”

O tucano disse não concordar com a hipótese levantada de que Marina está lhe poupando na campanha.”Eu até toparia uma tabelinha, mas eu não acho que a Marina esteja fazendo algum viés, não. Agora, eu tenho uma proximidade grande com a área ambiental. Me considero um ambientalista. Mas não há nenhum tipo de entendimento político”, afirmou Serra.