do Tribuna da Bahia

Alguns leitores têm me pedido que faça uma avaliação sobre as possibilidades reais de vitória dos candidatos que disputam a eleição ao governo da Bahia com base nos números do último pleito e das pesquisas até agora publicadas. Essa é uma tarefa bastante difícil, porque, como todos sabem, cada eleição tem sua própria história, diferenciada uma da outra. Mas, como dizia o saudoso jornalista Jorge Calmon, todo colunista deve atender aos seus leitores porque são eles que repassam as informações e formam as opiniões.

Então, vamos lá. Na última eleição, 2006, Jaques Wagner venceu o pleito em 1º turno com 3.242.336 votos (52.89%); Paulo Souto teve 2.638.215 (43.03%); Átila Brandão de Oliveira foi o terceiro com 189.596 (3.09%); Hilton Coelho, 4º, com 38.870 (0.63%); Rosana Vedovato 9.479 (0.15%); Antonio Albino 8.016 (0.13%); Antonio Eduardo 4.354 (0.07%). A abstenção foi de 20.68% (1.884.249); nulos 10.21% (737.875); e brancos 346.363 (4.93%).

No momento, segundo a última pesquisa Vox Populi/Band (17/maio) Wagner tem 41% das intenções de votos; Paulo Souto, 32%; Geddel Vieira Lima, 9%; Luiz Bassuma, 1%. Observe que Wagner perdeu 11.89% do eleitorado em relação a 2006; e Souto perdeu 11.03%. Geddel Vieira Lima é o terceiro com 9% e Luiz Bassuma (PV), 1%. Ao contrário do que aconteceu em 2006, denota-se, a julgar pelos números acima, que teremos uma eleição em segundo turno.

A política, no entanto, é como a onda do mar. Muda de acordo com os ventos, as intensidades das marés e tudo mais. Em marketing político existe um diagrama que conceitua bem essas diferentes percepções do eleitorado que vão das fases da indiferença até a adesão (voto). Nesse “intermezzo”, existe a fase da indefinição, da indecisão, passando até a simpatia. Portanto, um voto flutuante que, no caso da Bahia, segundo o Vox é, hoje, da ordem de 17%.

Veja que Geddel, terceira força desse novo movimento eleitoral no estado, até agora só conseguiu 9%, em tese, dos 22.92% dos eleitores perdidos por Wagner e Souto. Há, nessa maré de votos, na onda cíclica flutuante, somente nesse contexto, 11.91% dos votos que estão sem dono. Já foram de Wagner/Souto e aguardam o novo ciclo da maré, de ideias e aspirações, que serão abordados com intensidade no momento da campanha propriamente dita, a partir de 17 de agosto, com os programas eleitorais no rádio e na TV, os debates e assim por diante.

Esses votos poderão retornar a Wagner e Souto? Podem. Depende do convencimento junto aos eleitores. Mas também podem migrar para Geddel, observando-se a mesma lógica. Há um sentimento de que, por força das candidaturas nacionais Wagner/Lula/Dilma e Souto/Serra, o poder de cristalização dos votos desses dois candidatos é forte. Dificilmente vão ser alterados dessa faixa entre 40% e mais para Wagner; e 30% e mais para Souto.

Voto é marketing. O resto é política. Geddel está bem na política com uma arrumação partidária envolvendo 12 partidos. Os segmentos do marketing e da política se completam. Geddel dispõe de uma excelente equipe de marketing político, basicamente a mesma que atuou na campanha de João Henrique, com Maurício Carvalho/Viviane Falcão. A missão de Geddel, portanto, é a mais difícil entre os três candidatos. Porém, nada impossível de acontecer.