Raphael Gomide, iG Rio

O delegado da 38ª Delegacia de Polícia Civil do Rio, Luiz Alberto Andrade, afirmou que não há motivos suficientes para indiciar o jogador Adriano no inquérito que investiga suposta transação financeira entre o atleta e traficantes da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha.

A declaração contrasta com a do promotor de Justiça Alexandre Themístocles, que um dia antes afirmou haver indícios “gravíssimos” de que Adriano tenha envolvimento com o crime organizado no Rio. De acordo com o promotor, Adriano já afirmou ter recebido pedido de dinheiro de traficantes, mas disse que jamais liberou qualquer quantia.

Segundo Luiz Alberto Andrade, que tomou o depoimento do jogador na tarde desta quinta-feira, “nesse momento não cabe indiciamento”. “Até agora não vi elementos para indiciar Adriano”, afirmou. Adriano foi intimado a depor por ser suspeito de ter entregado R$ 60 mil à quadrilha do traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB.

O delegado, que pediu a quebra dos sigilos fiscal e bancário do atacante, disse que as explicações apresentadas por Adriano foram convincentes.

De acordo com Luiz Alberto, o jogador afirmou que os R$ 60 mil entregues ao traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB, são  referentes à distribuição de cestas básicas para a comunidade da Vila Cruzeiro, onde ele se criou: “Ele afirmou que tem um trabalho social na comunidade e que não queria que isso fosse divulgado”.

Ainda segundo o delegado, Adriano não tem qualquer impedimento para deixar o Brasil no domingo, data marcada de sua viagem para a Itália, onde se apresenta a seu novo clube, a Roma, uma vez que não existe mandado de prisão contra ele. A Polícia Civil tem prazo de 60 dias para terminar a investigação.

AE
Pessoas se aglomeraram em frente à 38 DP já na segunda-feira, quando Adriano era esperado para depor mas não compareceu

 

Apoio popular
O depoimento do jogador na 38ª delegacia da Polícia Civil, em Brás de Pina, no Rio, durou menos de 50 minutos. O atacante compareceu para depor às 16h44, acompanhado de dois advogados, em uma camionete Audi branca.

Quando chegou ao local para depor, uma jovem fã se aproximou do atleta e lhe beijou a mão. Na saída, mais manifestações de apoio: ao deixar a delegacia, o jogador se deparou com um “corredor polonês” formado por cerca de 60 pessoas da comunidade que o ovacionaram com gritos de “Viva Adriano”.

Crianças e adolescentes cercaram a caminhonete que o levou até a delegacia. Pediam autógrafos e correram atrás do seu carro. O atacante, porém, não deu entrevistas e não atendeu os pedidos dos populares.

Apesar do apoio popular, o jogador deixou o local com a expressão fechada, sem falar com a imprensa ou com os fãs, e teve dificuldades para chegar à caminhonete.