Vicente Seda, iG Rio de Janeiro

O delegado titular da 38ª DP (Brás de Pina), Luiz Alberto Andrade, afirmou ter acertado com a defesa do jogador Adriano que ele irá depor até quarta-feira no inquérito que apura supostas transações financeiras do atleta com traficantes da Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão. O ex-atacante rubro-negro viaja no domingo para a Itália, onde passará a atuar pelo clube Roma, e a polícia quer ouvi-lo antes da partida.

De acordo com o delegado, o jogador não é réu e foi chamado como “testemunha” porque foi citado no inquérito. “Se não vier novamente, temos outras prerrogativas, mas no momento não há necessidade”. Ele não esclareceu se cogitava conduzir Adriano “coercitivamente” – à força – para a delegacia. Como não há mandado de prisão contra o atleta, ele pode deixar o País.

Apesar de intimado, o jogador faltou ao depoimento, marcado para as 14h desta segunda-feira. Luiz Alberto Andrade disse que o advogado Adilson Fernandes afirmou que Adriano estava “impossibilitado” de ir, mas não especificou o motivo.

“Ele vai ser intimado novamente e o advogado está com o compromisso de apresentá-lo até quarta-feira, antes da viagem. Se não aparecer, vamos tomar outras medidas, mas há o compromisso de ele se apresentar”, disse o delegado. Segundo ele, as fotos de Adriano segurando o que seria um fuzil e fazendo com as mãos o símbolo de “CV” (Comando Vermelho) não são objeto de investigação.

O advogado saiu da delegacia com uma cópia do inquérito, que dissera não ter tido tempo para analisar. A intimação do jogador foi feita na quinta-feira. Adriano é citado em um inquérito que apura o tráfico de drogas no Complexo da Penha. Para o delegado da 38ª DP, o atleta se apresentar seria “uma forma de demonstrar que não tem ligações com o assunto investigado”.

As fotos do “Imperador” foram divulgadas nesta segunda-feira pelo jornal carioca “O Dia”. As imagens teriam sido feitas na casa de Adriano na Itália, quando ele ainda defendia a Internazionale de Milão. A assessoria de imprensa do atacante alegou que a arma segurada por ele é uma réplica usada para paintball, enquanto a arma nas mãos do colega seria uma parte de um abajur que decorava a sala do jogador.

Em entrevista ao canal Sportv, o procurador de Adriano, Gilmar Rinaldi, afirmou que as fotos já haviam sido repassadas para as redes Globo e Record, que não as publicaram. De acordo com Rinaldi, o atacante já tinha sido chantageado diversas vezes para que as imagens não fossem divulgadas. O procurador disse ainda que o jornal “O Dia” foi irresponsável.

Essa foi a segunda vez em três meses que o atleta foi chamado a depor. Em abril, o atacante foi convocado a explicar como uma moto que comprou por R$ 35 mil estava em nome da mãe de Paulo Rogério paz, o Mica, chefe do tráfico em algumas favelas do Complexo da Penha.