Hélio Rocha/ Tribuna da Bahia

Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) – órgão ligado à Presidência da República – revelou que 85% das rodovias federais estão em péssimo estado de conservação. A pesquisa calcula serem necessários investimentos na ordem de R$180 milhões para obras de recuperação, adequação, duplicação, construção, pavimentação e paisagismo nas estradas brasileiras.

 A região Norte está no topo do ranking das piores, seguida de perto pela região Nordeste. A Bahia, com 11.223 km de rodovias federais, é um dos estados mais prejudicados pelo problema, que aumenta o preço do frete de mercadorias, prejuízos e insegurança para os motoristas.

 

Os dados constam no Comunicado n° 52 do Ipea: “Rodovias brasileiras: gargalos, investimentos, concessões e preocupações com o futuro”, divulgado nesta segunda-feira, 24, em Brasília. Esse é o quarto comunicado da série Eixos do Desenvolvimento Nacional e trata das questões econômicas e institucionais do setor rodoviário.

O Brasil possui 1,7 milhão de km de rodovias, sendo que apenas 12% delas são pavimentadas. De acordo com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), 61% de toda a carga transportada no país é realizada por via terrestre. A CNT calcula que o custo do frete em território nacional poderia ser 28% mais barato caso as rodovias estivessem em bom estado de conservação. Na região Nordeste, o abatimento seria ainda maior: 31,1%.

A Bahia é cortada por 12 rodovias federais: as BRs 324; 116; 330; 242; 101; 235; 135; 020; 030; 407; 122 e 251. Recentemente, a administração da principal via de acesso à capital – a BR-324 – foi entregue à iniciativa privada sob regime de concessão por 25 anos. A empresa vencedora se comprometeu a requalificar toda a estrada, incluindo serviços de auto-socorro com ambulâncias e guinchos disponíveis em tempo integral em contrapartida pelo pagamento de pedágios.

O curioso é que o estudo, apresentado de maneira detalhada e recheada de estatísticas, parece revelar nas entrelinhas uma tendência à privatização das estradas federais. O documento apresenta como justificativa o fato de que as concessões favoreceram a entrada do setor privado no processo de investimento em infraestrutura rodoviária, permitindo o surgimento de linhas de financiamento particulares.

 Mas,em nenhum momento a pesquisa menciona possíveis cortes em impostos destinados para o setor como compensação pelos pedágios pagos e o aporte do dinheiro de particulares. Dessa forma, a economia que poderia ser obtida no custo do frete com a recuperação das estradas passa diretamente para as caixas registradoras das praças de pedágio.

A conclusão do documento deixa claro o ponto de vista do governo Federal quanto ao problema da melhoria do sistema viário nacional: “No curto prazo, o programa de concessão brasileiro deve apresentar uma resposta positiva, na medida em que a rodovia em bom estado operacional atenderá à demanda de transporte”.