A Tarde On Line

O julgamento do processo de anistia do cineasta baiano Glauber Rocha será realizado na tarde desta quarta-feira, 26, no Teatro Vila Velha, pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. O caso será apreciado por uma comissão composta por 24 conselheiros, entre representantes do governo e da sociedade civil.

O processo foi iniciado pela filha do cineasta, Paloma Rocha, em 2006, e solicita à Comissão a concessão de anistia ao cineasta baiano, falecido há 29 anos. Segundo os autos, Glauber Rocha foi alvo de perseguição e censura por causa da criação de seus filmes, na década de 60.

De acordo com a assessoria de imprensa da Comissão, o reconhecimento da anistia e o pagamento de indenização aos familiares do baiano serão decididos hoje. O processo será avaliado no palco principal do Teatro Vila Velha, a partir das 15h, e será aberto ao público. Quem quiser participar deve ir ao local a partir das 14 horas, quando começará a distribuição de senhas. Está prevista ainda a realização de um ato pelo Bando de Teatro Olodum, que faz parte do Vila Velha.

História – Nascido em Vitória da Conquista, sudoeste baiano, Glauber Rocha começou a atuar com audiovisual em 1959, mesmo ano em que foi estudar na Faculdade de Direito da Bahia, que hoje faz parte da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Pouco tempo depois de ingressar na faculdade, Glauber desistiu do curso e passou a se dedicar à atividade jornalística, sempre voltada à área de cinema. Sua primeira produção foi “O Pátio” e entre os filmes mais conhecidos estão “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), “Terra em Transe” (1967) e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969).

Glauber foi exilado do Brasil em 1971 devido à radicalização do regime militar. Morreu anos mais tarde vítima de septicemia, na Clínica Bambina, no Rio de Janeiro. Ele começou a passar mal em Lisboa (Portugal), onde ficou internado por quase 20 dias. Antes de falecer, Glauber já havia anunciado que faria mais um filme.

No total, produziu nove filmes, sendo dois deles premiados no Festival de Cannes. “Deus e o Diabo na Terra do Sol” foi indicado, mas não chegou a levar a Palma de Ouro. Além disso, esteve à frente de curtas-metragens e documentários, como “Maranhão 66” (1966), “História do Brasil” (1974) e “Jorge Amado no Cinema” (1979), dentre outros.