A Tarde/Glauco Wanderley, de Feira de Santana

O município de Feira de Santana tem 850 estudantes de pedagogia que fazem estágio nas escolas da rede pública de ensino, para um total de 1.700 professores concursados. Ou seja, o número de estagiários representa a metade do efetivo de professores. Com os docentes em greve desde o dia 10 de maio, os estagiários vêm sendo fundamentais para manter as escolas funcionando. A greve entra na terceira semana nesta segunda-feira.
Em assembleia  no último dia 18, professores recusaram a proposta de aumento de 6% nos salários e depois disso não houve reunião com o governo. A APLB reivindica reajuste de 15,93%.

O secretário da Educação, José Raimundo Azevedo, estima que 60% das escolas estão em aulas mesmo com a greve. Ele afirma que as escolas funcionam não apenas porque contam com estagiários, mas também porque há muitos funcionários que não aderiram ao movimento.

O sindicato dos professores (APLB) admite que muitas escolas não pararam, porém atribui o fato ao medo de perder o emprego, que assusta os estagiários e os professores concursados que ainda estão em estágio probatório –  tempo de experiência durante o qual o servidor público é avaliado antes de adquirir a estabilidade no emprego.

Denúncia – De acordo com a diretora da APLB, Indiacira Boaventura, é situação normal, fora dos momentos de greve, os estagiários assumirem sozinhos as turmas. “Tem escola funcionando com três professores efetivos e 10 estagiários”, denuncia. Para a dirigente sindical, o uso de estagiários como substitutos de professores traz grandes prejuízos. “Como eles ainda estão aprendendo, não sabem elaborar prova, não sabem alfabetizar. E os professores efetivos têm que parar para ajudá-los”, relata.

A principal diferença entre professores e estagiários está no peso destes para os cofres públicos. São muito mais baratos. Recebem somente R$ 388, sem qualquer outro benefício. O gasto total da prefeitura com estagiários não chega a R$ 330 mil mensais. “O governo nos informou que a folha de pagamento dos mais de 1.700 professores custa R$ 5,2 milhões, já somados os encargos”, compara a sindicalista Indiacira.

O secretário da Educação, José Raimundo Azevedo, nega que o governo tenha intenção de economizar quando mantém um grande número de estagiários.