Ardilhes Moreira Do G1, em São Paulo

A Polícia Federal realiza operação nesta sexta-feira (21) para cumprir 91 mandados de busca e apreensão e 91 mandados de prisão preventiva em cidades de Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rio Grande Sul e Espírito Santo. Até por volta das 12h30, cerca de 60 suspeitos tinham sido detidos por suspeita de crime ambiental.

Chamada de Operação Jurupari, a ação da PF é voltada contra uma quadrilha que seria formada por madeireiros, fazendeiros, engenheiros florestais e servidores públicos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) de Mato Grosso. Segundo a PF, o grupo explorava produtos florestais na Amazônia mato-grossense, principalmente no entorno e interior de terras indígenas e parques nacionais.

Segundo a polícia, a operação é resutado de dois anos de investigações e começou a partir de pistas obtidas em ações anteriores. Crimes ambientais foram verificados em ao menos 68 empreendimentos e propriedades rurais.

Manejo
Entre as pessoas detidas está Janete Riva, mulher do presidente da Assembleia Legislativa de MT, José Riva (PP). Segundo o deputado, sua mulher consta como proprietária da fazenda da família cujas atividades entraram na mira da PF. A propriedade tem cerca de 7 mil hectares e 3 mil cabeças de gado, segundo o deputado.

Riva confirmou ao G1 que houve exploração de madeira na propriedade, mas toda ela foi feita dentro da lei e que sua mulher não é responsável pela administração direta dos negócios, cuidado por funcionários. “Se tem uma fazenda correta ambientalmente falando é essa”, disse. “Tem um viés político a decisão”, disse. Segundo ele, a família vai recorrer da prisão preventiva. “Não tivemos sequer acesso a documentação, logicamente vamos entrar com pedido de habeas corpus”, disse.

Servidores
O atual secretarário de Meio Ambiente de Mato Grosso, coronel Alexander Torres Maia, vai conceder entrevista coletiva nesta tarde para comentar a prisão de funcionários da pasta, do ex-secretário de Meio Ambiente e do atual chefe de gabinete do governador.

Os servidores ligados à Sema são suspeitos de produzir e aprovar licenciamentos e planos de manejo florestal fraudulentos, necessários à legalização e comércio de madeiras extraídas no interior de áreas públicas.

Crimes
Os detidos devem responder pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, furto, grilagem de terras, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informática e além de diversos crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais.

A pedido da Polícia Federal, a Justiça Federal em Mato Grosso também decretou o seqüestro e indisponibilidade dos bens de todos os envolvidos, bem como o afastamento preventivo de todos os servidores indiciados.

A estimativa dos danos ambientais causados pelos investigados é de aproximadamente R$ 900 milhões, segundo laudos do Setor Técnico-Científico da Polícia Federal em Mato Grosso.