Carmen Pompeu, de O Estado de S.Paulo

FORTALEZA – O nome do vice na chapa tucana à Presidência da República só será conhecido em junho, segundo garantiu, hoje, em Fortaleza, o pré-candidato José Serra. Durante entrevista coletiva concedida após almoço-palestra para o grupo cearense de comunicação O Povo, no hotel Gran Marquise, Serra classificou como “especulação da imprensa” a notícia de que o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, teria confidenciado a amigos próximos para o PSDB esperar por ele, pois gostaria de formar uma chapa puro-sangue. “Não ouvi de nenhum amigo próximo. Só vi especulação na imprensa e não tenho nada para comentar.Qualquer coisinha que eu diga dá margem para especular”, disse.

Serra também evitou comentar o fato de o PSDB não ter ainda definido se terá ou não candidato próprio disputando o governo cearense. Segundo ele, este é um assunto que deve ser tratado por aliados. “Não interfiro nas realidades locais nem no meu estado, São Paulo, porque eu tenho que ficar ligado permanentemente à questão nacional, do Brasil como um todo. As alianças regionais, as peculiariedades são decididas pelo pessoal do lugar e pelo nosso próprio partido”, comentou.

O tucano disse ainda que não pediria voto ao governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro Gomes, mesmo sendo os dois, Ciro e Cid, aliados históricos do senador Tasso Jereissati, responsável pela campanha do PSDB no Ceará. “O Cid é de outro partido. Ele tem outras alianças e seria muito constrangedor para mim fazer isso”, afirmou Serra.

Depois da coletiva, Serra e Tasso foram visitar o Porto do Pecém, obra construída durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso como presidente. Tasso fez questão de lembrar que o Porto só foi construído graças a Serra, que, quando ministro do Planejamento, liberou as verbas necessárias. No almoço oferecido pelo O Povo, Serra foi saudado pela presidente do grupo, Luciana Dummar, como homem preparado para governar o País. Ela,no entanto, afirmou que ele tem adversários da mesma estirpe. “Feliz do povo que pode contar com candidatos tão qualificados”, enalteceu a empresária.

Pela manhã, o próprio Serra se definiu como preparado para suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao radialista Paulo Oliveira, da Rádio Verdes Mares, contou ter aproveitado o tempo de exílio para estudar. “Eu me acho preparado sim. Eu me preparei desde sempre não para ser presidente, mas para fazer coisas na política, na administração. Acabei, graças ao exílio, estudando bastante,compreendendo o Brasil como um todo”.

Tanto nas entrevistas como nas palestras concedidas ontem e hoje no Ceará, Serra disse que se eleito presidente retomaria a agenda de reformas. E pregou uma reforma ampla no sistema tributário “porque no Brasil se paga muito imposto”. “Se você pegar todos os países em desenvolvimento, o Brasil tem o maior imposto do mundo. Temos a maior taxa de juros do mundo, juro do empréstimo consignado. É preciso fazer uma reforma tributária com racionalidade”, afirmou Serra. Para o Ceará prometeu dar continuidade às obras iniciadas por Lula, como a Siderúrgica e a Refinaria de Pecém, a Transnordestina e a Transposição do Rio São Francisco.

Agora à noite, o pré-candidato tucano encerra um encontro de jovens e de prefeitos cearenses filiados ao PSDB.