O secretário-geral do PMDB de São Paulo, Airton Sandoval, afirmou nesta terça-feira (18) que a falta de acordo entre PMDB e PT em vários estados para a definição do candidato a governador pode inviabilizar a indicação do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP), para vice da petista Dilma Rousseff na disputa pela Presidência da República.

Nesta terça, a Executiva do PMDB decidiu indicar Temer para o cargo de vice-presidente. O anúncio foi feito pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR). A aliança entre PT e PMDB ainda precisa ser referendada na convenção nacional, marcada para 12 de junho.

“Tudo pode mudar na convenção. Até oito dias antes da convenção podem ser feitas diversas propostas, para apoiar outro candidato, para ter candidato próprio à Presidência. Em São Paulo, o PMDB defende coligação com o PSDB. Isso quer dizer que, no entendimento do diretório, o melhor candidato é o José Serra (pré-candidato do PSDB). Quando dizemos que tudo pode ser mudado é porque tem diversas questões a serem resolvidas. Há problemas entre PT e PMDB em Minas, Pará, Ceará. E quem vota na convenção são os delegados estaduais”, afirmou o secretário-geral.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o presidente do PMDB paulista, o ex-governador Orestes Quércia, afirmou que considera precipitada a decisão de indicar o vice antes das definições nos estados. Disse, porém, que não há previsão de que o diretório estadual apresente uma proposta diferente, como a coligação com o PSDB também em nível nacional.

Em São Paulo, o PMDB deverá se coligar com PSDB, DEM e PPS, chapa que a ser composta pelo ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o empresário Guilherme Afif (DEM) como vice. Quércia terá uma das vagas para concorrer ao Senado. A convenção estadual será no dia 13 de junho.

“O diretório de São Paulo sozinho não tem força para mudar a indicação de Temer e nem nós pretendemos fazer isso. O que queremos é tranquilidade para fazer nossa coligação em São Paulo. Desde quando indicamos a Alda [Marco Antônio, vice do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, do DEM], tínhamos o compromisso de caminhar junto com o PSDB. (…) Mas a convenção é soberana e quem decide é o Brasil inteiro. Há delegados que podem nem ter sido ouvidos (sobre a indicação de Temer). Ninguém de nós é contra Michel Temer. Se o Michel quiser ser candidato à Presidência, o Quércia até abre mão da vaga no Senado (pela coligação com o PSDB, DEM e PPS)”, disse Sandoval.