do Terra

Aposentados e pensionistas do INSS preparam mais uma vigília no Congresso a partir desta terça-feira. A intenção é pressionar o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), a assinar e enviar ao Senado a MP 475, aprovada na semana passada, que concede aumento de 7,72% aos segurados que ganham acima do salário mínimo e acaba com o fator previdenciário.

“Vamos levar os aposentados novamente a Brasília para pressionar o deputado Michel Temer. Até hoje (segunda-feira), ele não tinha assinado o projeto e, por isso, não foi encaminhado para exame dos senadores”, afirmou o presidente da Confederação Brasileira de Aposentados e pensionistas (Cobap), Warley Martins Gonçalles, que contará também com a participação das centrais sindicais.

O representante dos aposentados informou que a categoria vai acompanhar de perto todo o encaminhamento da matéria. “Depois de pressionar o Temer, vamos para o Senado acompanhar a votação por lá na semana que vem”, disse Gonçalles.

Em pronunciamento no Senado, na segunda-feira, o senador Paulo Paim (PT-RS) chegou a apelar ao deputado Michel Temer para que ele encaminhasse logo ao Senado o Projeto de Lei de Conversão 2/10, antiga MP 475. Paim lembrou que o projeto tem que ser votado até o dia 1º de junho, sob pena de perder a vigência. O parlamentar estimulou os aposentados a realizar vigília no Congresso.

Em seu discurso, Paulo Paim questionou informações veiculadas de que o reajuste aos aposentados provocará um rombo na Previdência que varia de R$ 4 bilhões a R$ 175 bilhões. Ele também rejeitou informações de que o fim do fator previdenciário vá prejudicar quem recebe aposentadorias de alto valor. “É exatamente o contrário. O fator só pega os pequenos. Só quem ganha até dois, três, quatro salários é que leva ferro”, afirmou Paim.

O governo trabalha na expectativa de derrubar no Senado o reajuste de 7,72% para aposentadorias acima do mínimo e reverter o fim do fator previdenciário, decisões aprovadas pela Câmara. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, nesta segunda-feira, durante conferência no Rio sobre investimentos em infra-estrutura no Brasil, que ainda não conversou com o presidente Lula sobre o aumento, mas que é contra a decisão na Câmara e vai recomendar o veto.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou que o reajuste de 7,72% para aposentados que ganham mais de um mínimo pode custar R$ 30 bilhões para o governo em cinco anos. O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, acredita que será possível reverter os dois pontos no Senado.