CORREIO

Torcer pelo Palmeiras, atualmente, não tem sido muito fácil. Até o solitário gol de Lincoln, aos 33 minutos do jogo contra o Vitória, neste sábado, pela primeira rodada do Brasileirão, os alviverdes sofreram, xingaram o técnico Antônio Carlos, o atacante Robert, que perdeu gols incríveis (um pênalti, inclusive). Quando saiu o gol, que garantiu os três primeiros pontos do Verdão no campeonato nacional, o que se viu no Palestra Itália foi um longo suspiro de alívio. Um sinal claro de que se as coisas não melhorarem, o ano vai ser muito longo para o time alviverde.

O Vitória, por sua vez, ainda tem a Copa do Brasil. Neste sábado, a não ser por uma cabeçada de Júnior no primeiro tempo, defendida por Marcos, o Leão não criou quase nada. Parecia mais preocupada com as semifinais do mata-mata nacional.

O Vitória joga quarta-feira que vem, contra o Atlético-GO, às 21h50m, no Serra Dourada, em Goiânia, pelas semifinais da Copa do Brasil. Pelo Brasileirão, o Leão joga sábado, contra o Flamengo, às 18h30m, no Barradão, em Salvador.

Jogo arrastado

O primeiro tempo poderia ser vendido como remédio eficiente para a insônia. Seria tiro e queda. Os dois times, em ritmo lento, trocavam passes de um lado para o outro, sem conseguir aprofundar jogadas. O Palmeiras pecava por insistir demais em jogadas pelo meio, abandonando as alas. Batia no muro rubro-negro e voltava. Mesmo quando conseguiam dominar e tinham espaços para chegar à linha de fundo, os alas Vítor e Armero preferiam o corte para o meio, atrasando a jogada e levando o técnico Antônio Carlos à loucura.

Aos 15 minutos, o comandante palmeirense, irritado com essa insistência do time de tentar atravessar a defesa adversária pelo caminho mais congestionado, deu um bico numa garrafinha de água, que entrou rolando pelo gramado. O gandula teve de entrar para retirar o objeto e o treinador se viu obrigado a pedir desculpas para o quarto árbitro.

O Palmeiras dominava a posse de bola e até chegou a ameaçar, aos 20, quando Cleiton Xavier cobrou escanteio da direita e Léo subiu livre para cabecear. A bola saiu, passando bem perto da trave direita de Viáfara. Apesar do domínio palmeirense, foi o Vitória quem criou a primeira chance clara de gol da primeira etapa, quando Egídio, aos 36, cruzou na cabeça de Júnior. O atacante subiu entre dois marcadores verdes e cabeceou firme, obrigando marcos a espalmar para escanteio.

O Palmeiras, enrolado para trocar passes, passou a chutar de fora. Foi num desses arremates que conseguiu sua melhor chance. Foi aos 43, quando Lincoln bateu no canto e o goleiro do time baiano espalmou.

Robert perde pênalti, mas Lincoln garante vitória

O Palmeiras melhorou no segundo tempo. Passou a acertar os passes e a explorar bem as jogadas laterais, principalmente pela direita, com Vítor e Márcio Araújo se revezando, sempre aparecendo às costas de Egídio. O problema é a fase. Mesmo dominando o jogo, o time tropeçava em seu próprio nervosismo. Robert que o diga.

Ele perdeu dois gols feitos e foi duramente hostilizado pela torcida alviverde, que não agüenta mais tanto sofrimento. Aos 11, Vítor apareceu pelo meio e enxergou Ewerthon entrando pela direita. O passe foi preciso. O atacante recebeu, já dentro da área, e deu um tapa para o lado, onde Robert entrava sozinho. Era só empurrar para o gol vazio. Dava até para dominar e ajeitar melhor o chute. Enfim, a chance era tão clara que seria um daqueles gols imperdíveis. Não seria. Robert, não se sabe como, conseguiu mandar a bola para fora. O Palestra Itália caiu em vaias sobre sua cabeça.

Agora, ninguém pode dizer que Robert é omisso. Pelo contrário. Aos 15, quando Ewerthon foi derrubado por Wallace na área no momento em que marcaria o gol, Robert se apresentou para bater o pênalti. Muitos torcedores puseram as mãos na cabeça:

– O Robert não! – gritou a Turma do Amendoim, os exigentes torcedores que ocupam as cadeiras numeradas do Palestra. Pareciam prever o que aconteceria em seguida.

Aos 17 minutos, Robert tomou distância e bateu firme de pé direito. Viáfara acertou o canto e fez uma grande defesa. Realmente, não está fácil torcer pelo Palmeiras. Nem torcer, nem treinar. Cansada de xingar Robert, a torcida direcionou sua revolta para o técnico Antônio Carlos. Chamaram o treinador de “burro”, pois consideraram que ele deveria ter intercedido, ordenando que o atacante deixasse o pênalti para outro bater. Logo em seguida, Robert saiu de campo para dar entrada de Paulo Henrique. Claro, saiu muito vaiado.

A essa altura, o Verdão tinha um jogador a mais, pois Wallace, quando cometeu o pênalti, foi expulso.

Após o pênalti desperdiçado, o Palmeiras viveu momentos de descontrole. Falhava na marcação e chegou a ser acuado mesmo jogando com um a mais. Mas essa pane não durou muito. As coisas entraram mais ou menos nos eixos aos 33 minutos, quando Cleiton Xavier acertou um lindo passe para Lincoln, que entrou pela esquerda e chutou rasteiro, abrindo o placar, fazendo o Palestra soltar um grito de gol, misto de alegria e alívio.

Daí para frente, nada de mais importante. As informações são do GloboEsporte.com.