O Globo, com agências

BRUXELAS – Depois da Alemanha, outros países da Europa deram aval ao pacote de ajuda à Grécia. França, Itália, Portugal e Holanda aprovaram suas cotas no empréstimo de 110 bilhões de euros (US$ 140 bilhões) que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia (UE) prometeram à Grécia nos próximos três anos. O governo da Espanha aprovou sua cota por decreto, com a votação parlamentar formal marcada para a próxima semana.

A contribuição da alemanha aguarda apenas a assinatura do presidente, Horst Koehler, depois da aprovação dada pelos parlamentares nesta sexta-feira. A ajuda alemã representará 22% do pacote. Juntas, França e Itália respondem por um terço.

A contribuição inicial da Itália será de 5,5 bilhões de euros, mas, ao longo de três anos, será alocado um total de 14,8 bilhões de euros, conforme o decreto aprovado pelo Gabinete da Itália. A informação é da agência italiana Ansa. O decreto tem efeito imediato, mas somente deve ser aprovado pelo Parlamento dentro de 60 dias.

O Senado da França aprovou no fim da noite de quinta-feira a contribuição do país ao pacote de ajuda da União Europeia (UE) para a Grécia, tal como se esperava, abrindo caminho para que os fundos estejam disponíveis nos próximos dias. A França pode emprestar até 16,8 bilhões de euros (22,5 bilhões de dólares) à Grécia durante os próximos três anos, com 3,9 bilhões de euros disponíveis em 2010.

Na Espanha, o Conselho de Ministros aprovou a contribuição de quase 9,8 bilhões de euros ao pacote. Em coletiva a jornalistas, a primeira vice-presidente María Teresa Fernández de la Veja disse que o governo “não aposta só na Grécia, mas também na economia europeia e em uma estabilidade que será garantia de bem-estar a muitos milhões de cidadãos”, de acordo com o jornal El Mundo.

O parlamento holandês também autorizou o governo a emprestar à Grécia 4,7 bilhões de euros (US $ 6 bilhões). A decisão do partido democrata-cristão chama o socorro de “um mal necessário” que beneficiaria os Países Baixos, evitando um colapso da moeda comum europeia. O primeiro-ministro, Jan Peter Balkenende, dará aprovação formal na reunião de Bruxelas, marcado para esta sexta-feira.

Os líderes europeus têm esse encontro com o objetivo de convencer os mercados de que estão tomando as providências necessárias para que a crise da dívida grega não se espalhe. A reunião desta sexta-feira, marcada inicialmente para os líderes dos principais países assinarem a aprovação da ajuda, também vai discutir a crise e tirar lições para evitar outros problemas no futuro. A questão ganhou urgência após a cotação do euro ter caído para o menor nível em 14 meses.

Os líderes da UE comentaram durante dias que a crise na Grécia devia-se a má gestão, gastos sem controle e estatísticas que esconderam os números, e que essa situação não se aplica a outros países, como Espanha ou Portugal. Mas defendem que a ajuda deve conter o problema, dando suporte à Grécia pelos próximos três anos.

No próximo dia 19, a Grécia tem um vencimento de 8,5 bilhões de euros em obrigações.

– O acordo de emergência para a Grécia será uma demonstração de força da Europa, da solidariedade – disse nesta sexta-feira o primeiro-ministro francês, François Fillon, após uma reunião com o primeiro-ministro Português, José Sócrates.

– Nós vamos proteger a Grécia e reforçar a estabilidade da zona do euro – repetiu Sócrates.

Teleconferência de ministros

Junto com a reunião dos líderes da zona do euro, os ministros das Finanças do G-7 farão uma teleconferência nesta sexta-feira sobre a crise, segundo o representante do Japão.

Os principais líderes da zona do euro, como Nicolas Sarkozy, da França, Angela Merkel, da Alemanha, e Jean-Claude Trichet, do Banco Central Europeu, mostram-se unidos e com uma estratégia comum para acalmar os mercados e tentar conter a ameaça à moeda comum.

– A situação é muito grave, e ninguém pode dizer que já estamos fora do perigo com decisão desta sexta-feira – disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, após o Parlamento aprovar sua fatia de 22,4 bilhões de euros (US$ 28,6 bilhões) do pacote. – ‘O que importa agora é que temos de apagar o fogo para que não se espalhe na Europa, e temos, ao mesmo tempo, que combater as causas do incêndio.

O Parlamento português aprovou sua participação no resgate de apenas 2 bilhões de euros para a Grécia. Mesmo que Portugal esteja preparado para emprestar à Grécia, a diferença nas taxas de juros entre os títulos portugueses e os alemães preocupa os mercados. Nesta sexta-feira, as taxas subiram nove pontos básicos, o que significa que Lisboa pagará 6,2% para contrair empréstimos no mercado – a maior taxa desde que aderiu ao euro, em 1997.