Juliana Prado

Serra e Dilma voltaram a se encontrar nesta quinta-feira Foto: Pedro Silveira/ O Tempo/Futura Press

Em clima de debate, os três pré-candidatos à presidência da República se encontraram na tarde desta quinta-feira (6) no 27º Congresso Mineiro de Municípios, em Belo Horizonte. Apesar de algumas alfinetadas, Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) mantiveram a cordialidade no tratamento entre si. A senadora verde foi a que mais destoou e cobrou, logo de início, que a disputa presidencial de 2010 não pode ser plebiscitária e centrada no embate entre PT e PSDB. Serra alfinetou o governo Lula, mas não subiu o tom da sua fala.

Nas quatro vezes em que teve oportunidade de fazer colocações, a ex-ministra Dilma elegeu um discurso técnico e com ênfase nas realizações do governo do presidente Lula. Não faltaram menções ao programa Bolsa Família, ao Agricultura Familiar e, principalmente, ao Programa de Aceleração do Crescimento.

Para uma plateia formada por centenas de prefeitos, os três pré-candidatos tentaram afinar o discurso com as demandas dos chefes de Executivo, que vieram de todas as partes do Estado. “A população não vive na União ou no Estado. A população vive é nos municípios. Por isso, é importante fortalecê-los”, disse Serra.

Coube a Marina Silva a defesa da principal bandeira dos municípios de médio e pequeno porte: o pacto federativo, que passa pela redistribuição dos recursos, hoje, segundo eles, concentrados nas mãos da União.

Os três concordaram na necessidade de se fazer a reforma tributária, justamente com intuito de redistribuir os recursos no País. Elegendo o termo “parceria”, que permeeou sua fala, a pré-candidata petista defendeu que “juntos é possível achar a solução para os problemas dos municípios”.

Uma vaia chegou a ser ensaiada por participantes do encontro quando a ex-ministra Dilma falou sobre os investimentos do governo federal para beneficiar os municípios nos últimos anos. A claque de prefeitos e parlamentares petistas, no entanto, tentou reverter o mal estar, e passou a aplaudi-la em vários momentos.

Recado ao governo
Coube a Serra alfinetar o governo federal, mas na estratégia do “bate assopra”. “Precisamos pensar numa forma de repor as perdas da isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Não podemos fazer benefício com o chapéu alheio. Não é só esse governo que faz isso não, todos agem assim”, disse o tucano.

Já a candidata do PV subiu o tom do debate em alguns momentos. Ela disse que não é possível governar sozinho. “O PSDB tentou governar sozinho e não conseguiu. Nós do PT tentamos governar sozinhos e acabamos ficando com o pior que existe do PMDB”, disparou, para uma plateia formada por vários peemedebistas, entre eles, o ex-ministro e senador Hélio Costa, pré-candidato ao governo de Minas.

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