Daniela Pereira

 O rastro de sangue encontrado no chão da Travessa Candeuba, Capelinha do São Caetano, revelava que o adolescente Yule Uigo Barreto Leal de 17 anos foi perseguido pelos assassinos. A vítima foi executada, no final da tarde de ontem, com vários tiros disparados por mais de sete homens, a bordo de cinco motos. Os mandantes do crime foram identificados pela polícia como Baby e Washington, traficantes das localidades Major Pinheiro e Jaqueira, rivais da Travessa Cadeuba.

 Apesar da aglomeração formada no local do crime, nenhum morador se propôs a falar sobre o ocorrido. Cápsulas de calibre de pistola 9 milímetros foram encontradas pelos policiais ao lado do corpo. Morador do Alto do Peru, Yule frequentava a Capelinha para visitar parentes. Com o passar do tempo, o menor se envolveu com o tráfico e aliou-se a três irmãos, líderes das bocas de fumo do local, um deles identificado pelo prenome Danilo. A facção desses irmãos sustenta uma rivalidade mortal com o grupo de Baby e Washington. Danilo já esteve preso na 4ª Delegacia, flagrado com uma sub metralhadora e dois carregadores.

 

De acordo com Patrícia Ferreira da Silva Santos, de 41 anos, tia da vítima, o sobrinho estava proibido de frequentar a Capelinha e, por diversas vezes, foi ameaçado de morte pelos traficantes rivais. “Ele estava trabalhando de carregador de compras na feira. Eu avisei a ele que não viesse aqui, mas ele não me ouviu. Agora cheguei do trabalho e recebi essa notícia horrível”, lamentou. Segundo ela, a quadrilha da Jaqueira impõe medo quando chega na Travessa Cadeuba. “Todo mundo aqui tem medo deles, não sabemos mais o que fazer”, afirmou.

Segundo informações de agentes do Serviço de Investigação (SI) da 4ª Delegacia, a prisão de Danilo, líder da quadrilha que o menor pertencia, ocorreu na Ilha de Itaparica. Apesar de ter confessado oito homicídios, o traficante foi liberado por uma Vara Criminal de Itaparica. “Essas facções colocam terror aqui na Capelinha. Há algum tempo atrás, os traficantes da Jaqueira mataram um barbeiro aqui na Cadeuba. Em represálias, o grupo de Danilo matou um barbeiro de lá da Jaqueira. E assim eles agem, sem nenhum tipo de piedade e compaixão contra a vida”, contou um agente.

Em um morro da Jaqueira, os assassinos acompanhavam a movimentação de pessoas e policiais ao redor do corpo da vítima. A polícia garantiu que haverá um trabalho direcionado para a desarticulação dessas quadrilhas.

 

Tribuna da Bahia