por Juscelino Souza | A Tarde

Mailton foi preso na periferia de Conquista em atitude suspeita Uma blitz de rotina levou a polícia de Vitória da  Conquista, a 509 km de Salvador, a prender Mailton Ferreira Soares, 25 anos, foragido de Minas Gerais após ser acusado de decretar toque de recolher no bairro Estrela Dalva, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Conhecido pelo apelido de “Paulista”, ele aparece nas investigações como responsável por obrigar trabalhadores a fecharem lojas, postos de saúde, escolas e creches. Até as empresas de ônibus tiveram as atividades limitadas.

 O terror imposto por Mailton teria durado quase duas semanas e estima-se que tenha prejudicado cerca de 60 mil pessoas. O acusado foi preso nessa terça-feira, 27, mas só foi apresentado à imprensa nesta quarta, 28. Ele estava em atitude suspeita, na periferia de Conquista, dirigindo um veículo Ecosport (HHE-8509), placa de São Paulo. Ao ser abordado por policiais civis da 2ª CP para apresentar documentos do carro e pessoais, teve a ficha criminal exposta por meio da Rede Infoseg.

 O Infoseg cruza os dados dos documentos com informações de arquivos da Secretaria de Segurança Pública e da Justiça, além de dados de inquéritos, processos, de armas de fogo, de veículos, de condutores, de mandados de prisão,dentre outros.

 

Suspeito – Contra Mailton havia um mandado de prisão temporária expedido no dia 7 deste mês pela Justiça de Belo Horizonte. Segundo a polícia mineira, o toque de recolher foi uma represália ao assassinato de dois rapazes na madrugada do dia 3. O crime, atribuído pelos bandidos a policiais militares, resultou na morte de um irmão dele, Marvel Soares, 26 anos, e do comparsa Wanderson Roque, 22 anos.

O toque de recolher foi decretado na tarde do mesmo dia, com mensageiros dos bandidos ordenando o fechamento do comércio. No dia seguinte, os marginais incendiaram um ônibus e, segundo a polícia, deixaram um bilhete que confirmava a represália pela morte da  dupla, assim como a relação dos policiais supostamente responsáveis pelas mortes.

A polícia negou a informação e anunciou a prisão de 13 supostos envolvidos nos atos criminosos, além de distribuir fotos dos líderes. Junto com “Paulista”, que na verdade é baiano de Itororó, a polícia aponta como mandantes do toque de recolher Everton Cardoso de Almeida e Max Soares Silva.

A ação policial não evitou que uma pessoa, Rogério Rodrigo Alves, 32, fosse morta com oito tiros na praça principal do bairro. A ordem dos bandidos era a de que o comércio só voltasse à normalidade quando os assassinos dos rapazes fossem identificados e presos.