No jargão futebolístico, aquele que os locutores de rádio AM/FM usam continuamente como se fosse algo erudito, dizer que um time está no maior sufoco é afirmar que uma bosta como o Esporte Clube Bahia está enfrentado o dream team formado por Neymar, Nadson, Ganso e Robinho (coisa que jamais vai ocorrer, pois a distância entre os dois é maior que daqui a Santos. Um é clube. O Outro é time).

Pois é o que vem acontecendo com a Coelba. Está passando o maior sufoco, coisa que nunca vi igual em tantos anos olhando a vida dos outros e comentando. Fiquei sabendo que ontem a empresa já admitiu que tem alguma coisa errada nas contas. O que significa dizer que ou não tinham desconfiômetro ou estavam querendo dar uma de João sem braço ou por lá ninguém está sabendo contar. Pior: calcular. A galera sabe somente somar e multiplicar. Mas os engenheiros e contadores parece que perderam a aula de diminuir ou dividir.

Como o povo não é besta, aí também somou queixas, esforços e pragas – uma das quais teria sido que faltasse luz na empresa, que absurdo, pois botaram até feitiço na encruzilhada da sede lá na Paralela, como se já não bastassem a perseguição e o sofrimento que já se constata com as constantes greves e piquetes promovidos pelos sindicalistas que – me disseram e eu não acreditei – estão ganhando fortunas e se escondendo do trabalho. Será que aí está o âmago da questão? Será que tem de aplicar um 171 no povo para pagar os salários dos neomarajás? Não acredito.

Então dona Creusa Cleomar, vizinha de minha mãe lá pelas bandas de Paripe (aliás, minha santa progenitora está querendo um liquidificador novo já que no período da chuva entrou uma corrente de energia elétrica tão braba que apagou tudo, queimou umas coisas e foi tão forte que até as obturações do meu cunhado brilharam e lançaram chispas no escuro), como dizia, dona Creusa, mãe-de-santo consagrada e afamada pelas do subúrbio ferroviário e nas beiradas da Estrada Cia-Aeroporto, decidiu botar a boca no mundo, pois não estava em condições de bancar a conta da luz que chegou.

Ela sempre pagou 40 reais “e a miserável da conta veio detonando, parecendo Exu quando não é convidado para a festa”, disse. O valor bateu lá para mais de 150 reais e ela disse que para pagar teria de fazer um ebó para socialite ou pagodeiro ou axezeiro, “única gente que tem dinheiro na Bahia”, enfatizou, fazendo movimento de Rebolation.

Pedi que ela se acalmasse e que não jogasse os santos contra a Coelba, pois se sem ziquizira a empresa já está vivendo o seu inferno astral (coitada, talvez nem tenha esta culpa toda, pois está lá nas leis federais que empresa de energia elétrica não pode e nem deve contabilizar prejuízo – veja se a Aneel deu as caras por aqui?), imagine com Xangô, Iemanjá, Oxalá e toda a sua tropa baixando sobre aquele horroroso conjunto quadrado e anti-Niemayer onde fica a empresa?
E se viesse Iansã, deusa dos raios e dos trovões, aí é que entesava de vez e nunca mais que a Bahia ia voltar a ter energia elétrica. Seria a volta aos primórdios do homem. Mas, o que se juntou ao preço da conta e deixou dona Creusa mais aloprada e querendo baixar todos os santos foi quando a Coelba disse que a culpa de tudo foi do calor. Ela respondeu para o digno representante da companhia de energia, olho no olho, encarando a tela da TV:
– Meu filho, calor, nem na bacurinha eu sinto mais.

Eparrê Iansã! Mande aí um ventinho para acabar com o calor e uma calculadora para atenuar a conta da luz. Aliás, quando Deus disse “Fiat lux”, a Coelba, mandou a conta.

Tribuna da Bahia