ASSUNÇÃO – O Estado de S.Paulo

Ao menos duas pessoas morreram ontem no Paraguai após um atentado contra o senador Robert Acevedo, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), aliado do governo. A ação ocorreu em no centro da cidade Pedro Juan Caballero, a cerca de 550 quilômetros de Assunção, na fronteira com o Brasil, em uma região onde operam grupos narcotraficantes e a guerrilha Exército do Povo Paraguaio (EPP).

 Segundo a polícia local, Acevedo conduzia uma caminhonete quando foi abordado por motociclistas, que dispararam cerca de 40 vezes contra o carro, matando dois guarda-costas: Richard Martínez e Feliciano Alonso.

A rádio Ñandutí, de Assunção, informou que o senador está hospitalizado em estado grave um hospital de Pedro Juan Caballero. De acordo com fontes próximas ao congressista, Acevedo vinha recebido ameaças de morte por ter feito denúncias contra narcotraficantes na região.

A cidade é a capital do Departamento (Estado) de Amambay, uma das cinco regiões onde vigora o estado de exceção aprovado no sábado pelo Congresso. Os outros Departamentos são San Pedro, Concepción, Alto Paraguay e Presidente Hayes, área conhecida pela produção de gado e pelo cultivo ilegal de maconha.

A medida é válida por 30 dias e foi um pedido do presidente paraguaio, Fernando Lugo, para facilitar o combate ao EPP, que é acusado de realizar sequestros, assassinatos e ataques a delegacias de polícia. Na semana passada, o grupo guerrilheiro teria assassinado quatro policiais no Departamento de Concepción, norte do país. O episódio causou a reação da opinião pública e do governo, que começou a caçada.

Lula. Na sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem uma viagem agendada para Ponta Porã, cidade que faz fronteira com Pedro Juan Caballero. Diante do ataque de ontem, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) fará uma avaliação da segurança no local e da conveniência da viagem.

De acordo com a programação oficial, Lula e Lugo se encontrariam no meio da rua que separa os dois países, apertariam as mãos e fariam uma reunião em uma unidade do Exército brasileiro. / REUTERS COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

PARA ENTENDER
EPP é acusado de sequestro e narcotráfico

O Exército do Povo Paraguaio (EPP) é acusado de tráfico de drogas, ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e outros crimes. O governo paraguaio responsabiliza o grupo pelo sequestro de Cecília Cubas, filha do ex-presidente Raúl Cubas, morta pelos guerrilheiros, em 2005.