Na véspera do lançamento oficial da pré-candidatura do senador Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, o PT paulista ainda trabalha na montagem da chapa que será oferecida ao eleitor. Além de Mercadante, o partido definiu até agora o nome de Marta Suplicy para uma das duas vagas ao Senado. A outra, além da escolha do vice de Mercadante, deve ocorrer no mês de maio. De acordo com o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, escalado para coordenar a campanha petista, “o quadro em São Paulo ainda está conturbado, ainda que pareça tranquilo”.

Ele diz que cinco partidos estão confirmados na aliança com o PT: PDT, PR, PRB e PPL e PTdoB. O partido ainda busca uma aliança com o PSB, que por enquanto mantém a ideia de candidatura própria com o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf. Caso esse quadro se mantenha, o PDT deve indicar o nome do vice. A segunda vaga para a disputa do Senado está entre Gabriel Chalita (PSB) e Netinho de Paula (PCdoB), que ainda não fecharam com os petistas. Partidos como PTN, PCdoB, PSL, PHS, PSC, e PSDC, também poderão integrar a chapa.

Emídio diz que o partido está seguro em fazer a melhor campanha que o partido já realizou em São Paulo em toda a história. Na campanha, o PT pretende explorar o que chama de “desgaste” sofrido pelos 16 anos consecutivos em que o PSDB está no comando do Estado. Leia os principais trechos da entrevista:

Terra – O que está sendo preparado para o pré-lançamento da candidatura de Mercadante?
Emídio de Souza – Será um lançamento singelo. Não tem nada de espetacular, mas nós temos de fazer a nossa definição, a escolha do candidato. O PT tem de fazer o seu encontro estadual, aprovar as candidaturas, então resolveu fazer isso agora. Marcamos essa data. Vai ser o primeiro pronunciamento público do Mercadante na condição de pré-candidato ao governo. E também da Marta. Não é um evento de massa, mas voltado para a militância e para apresentar oficialmente o Mercadante como pré-candidato.

Terra – E a escolha do vice de Mercadante?
Emídio de Souza – Só é possível definir aí para maio, porque tem muita coisa sendo mudada, em andamento ainda. Passa também (PSB), mas não é só. O quadro em São Paulo ainda está conturbado, ainda que pareça tranquilo. Não dá para definir o vice agora. Prazo exato não, mas acredito que em maio já tenha.

Terra – O Mercadante já assimilou a ideia da candidatura? Ele não parece muito à vontade como candidato…
Emídio de Souza – O candidato veste a camisa aos poucos, não tem jeito. É o andar da carruagem. Nós estamos ainda muito em uma fase inicial, montando a coordenação de campanha, definindo os papéis, tudo está sendo feito. Nós estamos com tudo muito corrido, preparando o encontro, a agenda pós encontro. Mas ele está animadíssimo com a expectativa, com a possibilidade. Estamos seguros que esta será a melhor campanha que o PT já fez no Estado.

Terra – E o que dá ao senhor essa certeza?
Emídio de Souza – Um conjunto de fatores. Primeiro, o desgaste dos tucanos em áreas fundamentais do Estado como segurança, educação, saúde, habitação. A insuficiência disso. Então isso me deixa na certeza de que nós vamos ter uma excelente campanha. O candidato do lado de lá, apesar de ostentar índices maiores, governou o Estado por 12 anos, seis como governador e seis como vice-governador. Terceiro, o prestígio do presidente Lula. Nós confiamos tanto que essa campanha será boa e tem chance de vitória, que nós tiramos do Mercadante o destino de uma eleição praticamente certa para o Senado. Então, nós temos confiança no que estamos fazendo. Não é uma campanha menor não. É uma campanha com todos os ingredientes para ganhar a eleição em São Paulo.

Terra – O PT terá mais dificuldade no interior, onde historicamente o PSDB obtém melhores resultados?
Emídio de Souza – O PT vem crescendo no interior cada eleição que passa. Nós ganhamos deles diretamente ou em alianças em Araçatuba, Presidente Prudente com o vice, Bauru, Campinas… Então não há porque achar que essa eleição é uma eleição difícil. O PT está crescendo no interior, vai continuar crescendo, e vamos em frente.

Terra – E em relação à bancada? Muitos se queixam da escolha da Marta para o Senado. Acreditam que em uma disputa para deputada, ela poderia ser mais útil, como puxadora de votos.
Emídio de Souza – A nossa expectativa é de crescimento geral. O PT, no ano mais difícil que nós tivemos, que foi em 2006, teve 32% dos votos e elegeu quase 100 deputados. Todo mundo achava que o PT iria despencar. Então agora, depois do governo Lula, com a aprovação que está, por que não acreditar em uma vitória bastante expressiva? Se você reparar, a chapa que está sendo montada pelo PT é uma chapa fortíssima. Marta, Mercadante… A aliança é a maior que já fizemos em São Paulo. Nunca tivemos uma aliança tão forte forte assim como essa.

Terra