O corpo de Vanderley Santos de Souza, 37 anos,  soldado da Polícia Militar baleado durante uma discussão com um policial civil na noite do domingo (18) no Curuzu, bairro da Liberdade será enterrado às 11h deste terça-feira (20), no cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, na Quinta dos Lázaros.

Entenda o caso
O PM lotado no Batalhão de Polícia Rodoviária, estacionou seu carro na rua Tenente Mário Alves, na Liberdade, ligou o som, abriu o porta-malas e continuou a comemorar o domingo de folga. Ele dançava na calçada enquanto o seuGolf prata atrapalhava a passagem deoutrosveículos, entre eles o do policial civil Robério Nonato dos Santos. O agente pediu passagem. Irritado por não conseguir ir adiante, saltou do carro e começoua discutir com Vanderley.

Os dois sacaram suas armas e dispararam. Baleado no peito, o soldado PM foi levado para o Hospital Ernesto Simões Filho, no Pau Miúdo, mas não resistiu. Já o agente, atingido no abdômen e de raspão no ombro, foi medicado no Hospital Geral do Estado (HGE) e depois transferido para uma clínica particular.O agente trabalha na 11ªDelegacia, em Tancredo Neves.

VÍTIMA
No tiroteio, uma terceira pessoa foi baleada na perna. Depois de medicada, a vítima, cuja identidade não foi revelada, prestou depoimento na 2ª Delegacia (Lapinha). Ela contou ao delegado Miguel Lapete Cicerelle que foi baleada pelo PM, a quem atribui ter começado o tiroteio. “A vítima estava de frente para Vanderley. Assim como ela, outras três testemunhas afirmam que quem atirou primeiro foi o soldado”, afirmou odelegado,que encaminhou o inquérito à Corregedoria-Geral da Secretaria de Segurança Pública (SSP), já que o caso envolve policiais de instituições diferentes.

Testemunhas contam que, entre a discussão e os disparos, não passaram mais do que quatro minutos. “Foi tiro para todo lado. Uma média de seis para cada um”, contou o comerciante F.J.C.R., 45 anos, dono de uma lanchonete situada a poucos metros. Segundo ele, o tiroteio ocorreu por volta das 21h. O policial militar parou o Golf no início da Tenente Mário Alves (via de mão dupla), bloqueando o tráfego de veículos.

O carro dele estava ao lado de um outro veículo estacionado anteriormente no local. “Ele chegou com o porta- malas aberto e o som ligado. Parecia que estava bebendo há muito tempo. Logo depois, o policial civil chegou num carro vermelho e começou a buzinar”. Ainda segundo o comerciante, irritado com a situação, o agente desceu e pediu para o PM retirar o veículo.

“O soldado se identificou e mandou que o policial civil passasse por cima”, relatou o aposentado BeneditoAlves dos Santos, 68 anos, que estava na varanda de casa quando começou a briga. Após a rápida discussão, o duelo. “Não sei quem começou, mas só ouvi os disparos e na mesma hora corri para a barraca. O que me deixou mais intrigado foi que os dois, mesmo feridos, saíram dirigindo seus carros”, contou o dono de boteco, que se identificou apenas como Souza.

INDIGNAÇÃO
Parentes do PM morto apresentam outra versão.“Ele estava feliz, brincando. Vanderley foi atingido primeiro. O civil chegou colocando a mão no carro, fechou o porta-malas e chamou meu irmão de babaca, de palhaço. Ele respondeu e acabou levando um tiro no peito”, diz Vilma Santos de Souza, 58 anos, irmã do policial militar.

Segundo o soldado Vandeson Tadeu de Oliveira Miranda, Vanderley ainda conseguiu dirigir e pedir socorro. Miranda estava parado no ponto de ônibus da Feira do Japão, quando o policial ferido parou o carro e pediu ajuda. “Levei ele para o hospital e avisei à Central de Telecomunicações da Polícia (Centel)”.

Uma irmã do soldado morto, que é sargento da PMe não quis se identificar, afirmou que a situação só mostra o despreparo dasduas corporações em treinar seus novos agentes e soldados. “Estar com distintivo e arma na rua é pedir para correr riscos. Primeiro, porque se um bandido te pegar, ele temata por saber que você é policial. Se não for um criminoso qualquer, será outro, com arma oficial”, diz.

Para ela, o caso também acirra a rixa existente entre policiais civis e militares. “O caso só prova que não há coleguismo entre as instituições. Policial civil não é colega de policial militar. Não há qualquer relação de respeito e amizade”, completa.

Correio