Professor que monitora a costa fluminense faz alerta sobre novas tragédias na região

 

Deslizamento no morro do Bumba deixou vários mortos e o número de soterrados permanece incerto.

 O coordenador de um monitoramento ambiental independente no litoral do Rio de Janeiro faz um alerta sobre possíveis novos desastres em Niterói, cidade mais afetada pelas fortes chuvas nesta semana. Mário Moscatelli, do projeto Olho Verde, sobrevoou a região na tarde da quinta-feira (8) e disse ter visto “centenas de pequenos e médios pontos de tragédia”.
 – É muito claro que a iminência de um acidente de grandes proporções está próxima. No Rio de Janeiro, ocorreu uma catástrofe, na região do Saco de São Francisco também, mas é impressionante a situação em Niterói. Você fica perdido com tantos pontos de deslizamentos. Há centenas de pequenos e médios pontos de tragédia na cidade.

 O pior local, segundo Moscatelli, é bem próximo à área na zona norte de Niterói que deslizou na noite de quarta-feira (7), soterrando dezenas de casas. A região conhecida como morro do Céu, distante cerca de 2 km do morro do Bumba, está “à beira de um precipício”, afirma o ambientalista.

 – As pessoas moram, literalmente, debaixo de um grande aterro de lixo. Um grande desastre vai acontecer de uma hora para outra lá. Se os políticos não fizeram nada, a tragédia vai pipocar. Niterói toda está se desfazendo, a cidade está à beira de um precipício.

 O biólogo Eduardo Sodré, da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), diz que as autoridades ainda não fizeram um estudo do solo no morro do Céu, o que pode agravar mais a situação no bairro de Cubango. Entre as possíveis causas do desastre no morro do Bumba, onde morreram ao menos 17 pessoas, está uma suposta explosão causada por gás metano gerado pelo lixo de um aterro que existia no local.

 – Se houver uma explosão no morro do Céu, por exemplo, o estrago por conta de um deslizamento de terras vai ser muito maior do que o da noite de quarta-feira. A área é gigantesca e há muitas famílias morando no pé do morro.

 Segundo Moscatelli, é possível identificar facilmente a ocupação de casas feitas de forma irregular no local. “É predominante” a quantidade de moradores das classes mais baixas na região, mas ele diz que há também “residências com piscinas” nas encostas.

 – A degradação é democrática, assim como a resposta da natureza.

R7