Ficou somente na esfera federal a confirmação do casamento eleitoral entre o PT e o PR. Ontem, ao reassumir a presidência nacional do Partido Republicano, o ex-ministro dos Transportes, seu discurso, Alfredo Nascimento foi direto: “Estamos reafirmando a aliança que ajudou a mudar o Brasil. O PR participou de cada ato que mudou a vida política do nosso país”, destacou.

Precavido ante as imposições da legislação eleitoral, o presidente nacional dos republicanos ponderou que a legenda vai fazer ainda a convenção, em junho, “quando vamos formalmente poder apoiá-la [Dilma]. Até porque, ela é pré-candidata, não é candidata”. Ainda segundo o dirigente, o partido tem a “obrigação de não permitir que o projeto pensado pelo presidente Lula seja interrompido”.

PROPOSTA – A assessoria do senador César Borges afirmou ainda que ele acompanha a avaliação que o governador faz com seus aliados e que aguarda a apresentação de uma proposta “onde todos ganhem e não apenas o PT”.  Em outras palavras: não assegura haver entendimento para a chapa majoritária, nem descarta o apoio ao petista ou aos seus adversários, leia-se Geddel Vieira Lima (PMDB) e Paulo Souto (DEM).

“É notório que César Borges trabalha para uma aliança inclusiva e integral, que atenda também a chapa proporcional do PR e fortaleça o partido. O senador não trabalha para si, mas pensando em todos os companheiros”, declarou, via assessoria.
O senador baiano também negou qualquer convite ou articulação visando a sua nomeação para o um futuro ministério caso a pré-candidata Dilma Rousseff vença as eleições presidenciais.

Frisa, inclusive, que a matéria do Correio Braziiliense que fomentou as especulações quanto à indicação ao ministério informa apenas que César Borges estaria entre os principais interlocutores da ministra, ressaltando trecho da reportagem segundo o qual “não quer dizer que eles (estes interlocutores) serão ministros”.

Número de candidatos dificulta

Se a formação de uma chapa única para deputado federal e estadual já era considerada difícil, após reuniões ocorridas ontem ficou praticamente impossível. Segundo contabilidade conduzida pelo presidente estadual do PT, Jonas Paulo, a coligação já soma 368 candidatos a deputado estadual e 99 postulantes à Câmara Federal, oriundos de oito partidos (PT, PSB, PDT, PCdoB, PP, PHS, PRB e PR). De acordo com a legislação, explica o petista, cada coligação proporcional pode ter no máximo 78 candidatos para federal e 123 para a estadual.

“A tentativa de politizar a formação da chapa proporcional não tem consistência. Quem defende isso se esvai no confronto com a realidade dos fatos”, afirmou Jonas, em sutil referência às reclamações de setores das siglas da esquerda da coligação (PT, PSB, PDT e PCdoB).

 Há cerca de dez dias, a expectativa era de que a coalizão governista chegasse a duas centenas de postulantes à Assembleia. Com o número atual, a tendência é a formação de uma a duas coligações para a Câmara e de três a quatro para a Assembleia. O presidente do PT, que nunca foi favorável ao chapão, alega que a alternativa à subdivisão da aliança que apoia Wagner seria “voltar ao tempo do coronelismo” e obrigar os partidos a cortar candidaturas.

Jonas Paulo, que ainda pretende fechar o apoio à reeleição do governador com mais três a quatro siglas, descarta fazer uma previsão sobre o número de candidatos que o grupo lançará. “Numa Copa sabe-se quem são os 23 jogadores que o técnico vai levar. E os 11 titulares? A convenção é até 30 de junho, as eleições são em outubro, como eu posso definir as coisas agora?”. Entretanto, o petista acredita que o número maior de candidatos dará mais capilaridade à chapa de Wagner e melhor condições cobrir os 417 municípios e as várias regiões da Bahia.

Tribuna da Bahia