Após a prisão de Daniel Cunha de Oliveira, de 26 anos, sob a acusação de participar de uma troca de tiros na localidade de Santo Antônio, em Fazenda Coutos III, a polícia descobriu que ele atuava como pistoleiro na cidade de Corobó, no estado de Pernambuco. Interrogado pelo delegado plantonista, Geovani Paranhos, Daniel, mais conhecido como “Fumaça”, que é natural de Salvador, teria admitido já ter assassinado mais de 50 pessoas. Entre as vítimas, um fazendeiro, identificado apenas como Zé Carlos, e dois capangas.

Portando uma espingarda calibre 12, Fumaça foi detido durante uma troca de tiros que deixou nove pessoas baleadas e uma morta. Sem qualquer tipo de pudor, ele contou os crimes que cometeu na cidade onde morava. “Eu comecei nesta vida no ano de 1999, depois que esse fazendeiro matou meu irmão, dentro de um boteco. Passaram-se os anos, eu fui lá, matei ele e os capangas, no mesmo lugar”, contou o acusado. Segundo Daniel, o irmão dele foi assassinado porque tinha pedido ao fazendeiro um empréstimo de R$ 8 mil e não pôde pagar na data do vencimento do prazo.

Após os crimes, Fumaça passou a ser temido pelos moradores e procurado pelos grandes fazendeiros da região, envolvidos em disputa de terras, para cometer assassinatos, a mando, chamados de ‘pistolagens’. Como o acusado afirmou, dependendo da “gravidade do problema do cliente e da dificuldade de executar a vítima”, o preço poderia variar de R$5 mil a R$ 10 mil.

“Eu sempre agia com outros dois colegas. Agora, um está em São Paulo e o outro está morto”, confessou. Morador de Fazendo Coutos, Daniel alegou que, em terras baianas, não teria cometido homicídios e negou qualquer envolvimento com a troca de tiros ocorrida na tarde do último domingo.

FLAGRANTE – Por volta das 15 horas de domingo, cerca de 20 homens, armados com fuzis, metralhadoras, espingardas e pistolas, invadiram o Santo Antônio e abriram fogo contra uma facção rival. Informações de policias da 5ª Delegacia apontam que as facções eram lideradas por dois traficantes conhecidos como “Ednei” e “Sucuri”, ambos foragidos. Durante a ação criminosa, um homem de dados ignorados morreu, nove pessoas foram baleadas e socorridas para o Hospital João Batista Caribé, mas não correm risco.

Fumaça foi detido em flagrante. De acordo com o titular da 5ª Delegacia, Deraldo Damasceno, o acusado irá permanecer detido e vai responder por homicídio e tentativa de homicídio. “Ele é uma pessoa de alta periculosidade, frio, calculista e mata por dinheiro. Por isso é considerado um terror para a sociedade”, declarou o delegado.

Toques de recolher

Apavorados com os últimos acontecimentos, moradores do Subúrbio Ferroviário fizeram um desabafo na tarde de ontem, e contaram à reportagem a rotina de medo que enfrentam. Residente do bairro do Rio Sena, uma empregada doméstica, que preferiu o anonimato, revelou que constantemente os traficantes ordenam toques de recolher.

“Na semana passada, houve um tiroteio entre gangues. Um dos traficantes morreu e, a partir deste dia, os moradores e comerciantes não podem mais transitar e abrir seus estabelecimentos com sossego”, contou a jovem, alertando que os traficantes ameaçam as pessoas em plena luz do dia.

Após este episódio, militares das Rondas Especiais (Rondesp) reforçaram o policiamento nas ruas do Rio Sena e Alto da Teresinha para evitar novos confrontos e garantir segurança aos moradores do local.

Para o delegado Deraldo Damasceno, apesar do ocorrido, a polícia vem apresentando um trabalho intenso para desarticular essas quadrilhas que querem “impor terror” no Subúrbio Ferroviário. “Estamos realizando um trabalho árduo de investigação sobre esses toques de recolher. Com certeza a polícia vai pôr um fim”, garantiu o titular. 

Tribuna da Bahia