A liberação dada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) para consumo humano da água Caetité, a 757 km de Salvador, deu munição para a oposição criticar a gestão ambiental do governo de Jaques Wagner (PT). Isso porque o Ingá (Instituto de Gestão Águas da Bahia), órgão estadual, interditou seis poços artesianos na zona rural do município alegando alta contaminação por urânio. Acontece que o Cnen, comissão ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia responsável pelas análises sobre urânio, considerou a água adequada para o abastecimento local.

O fechamento dos poços se deu entre o final do ano passado e janeiro deste ano e gerou prejuízos para o município. Desde então, a oferta de água é feita por carros-pipa, que consumiram em torno de R$ 70 mil dos cofres públicos da cidade, segundo o prefeito José Alencar Filho (PSB). A região afetada tem cerca de três mil habitantes.

Nota assinada pelo presidente da Cnen, Odair Gonçalves, considera que “as doses de radiação encontram-se abaixo do limite de dose recomendado pela norma” e que “os riscos à saúde humana associados ao consumo destas águas são baixos, não justificando a manutenção do fechamento desses poços”. O Ingá diz que agiu “por medida de precaução”.

O ex-governador Paulo Souto, pré-candidato ao governo da Bahia pelo DEM e natural de Caetité, disparou contra a gestão estadual. “Os órgãos ambientais têm de ser cuidadosos, mas não podem deixar de ser responsáveis. Não podem tomar atitudes sem nenhum respaldo ou fundamento de natureza técnica”, disse em entrevista por telefone.

 A Tarde