Parece que os móveis foram os itens mais desejados por órgãos da administração pública federal neste segundo bimestre de 2010. Desta vez Câmara dos Deputados, Senado e Supremo Tribunal Federal (STF) resolveram empenhar (reservar em orçamento) recursos para a compra e reforma de mobiliário. O Senado, por exemplo, comprometeu R$ 409 mil para contratação de empresa especializada em confecção, fornecimento e instalação de mobiliário, “quando necessário”, até agosto. O órgão também reservou mais R$ 196 mil para pagar reforma de móveis e estofados, “à medida que houver necessidade”, durante o período de 20 de maio a 31 de dezembro deste ano.  

 A conta do Supremo não deu mais cara, mas os itens foram mais luxuosos. No total, o STF empenhou R$ 199 mil para a aquisição de 115 poltronas de diferentes modelos. Tem do tipo com braços, média sem braços, alta, “para assessor”, “interlocutor” e por aí vai. A mais cara, por coincidência, é a poltrona “para assessor”, como descreve a nota de empenho emitida pela corte: R$ 2,7 mil cada. O tribunal ainda mirou na área de informática e eletrônicos, comprometendo R$ 142 mil para a compra de 350 monitores LCD de 17 polegadas e R$ 6 mil para a aquisição de cinco TVs LCD 22 polegadas.

 Já a Câmara foi mais pobrezinha quando se tratou de mobiliário. A Casa empenhou apenas R$ 731 para custear serviços de lavagem do revestimento de mobiliário (cadeiras, pufes e sofás) de imóveis funcionais. Agora, quando o assunto foi serviços gráficos, o valor subiu e muito. Quase R$ 1,7 milhão foi reservado para arcar com mão-de-obra destinada à execução de serviços gráficos para a Câmara. De acordo com o empenho, o valor serve para atender despesas relativas ao período de março a setembro, incluindo 13º salário dos prestadores de serviço.

 O órgão também não se esqueceu de ressarcir o deputado William Woo. Isso porque ele realizou “gastos com hospedagem, transporte e alimentação, por ocasião de sua participação, como representante desta Casa, na missão oficial para verificar ‘in loco’ a situação dos brasileiros que vivem no Japão, realizada no período de 12 a 20 de março de 2009”. Total: R$ 3,1 mil.

 Por fim, mais Senado. O parlamento resolveu dar uma manutenção em sua estrutura artística. Para isso, empenhou R$ 84,7 mil para pagar “fornecimento e instalação de vidros comuns, espelhos, lapidação e corte de vidros, com fornecimento e colocação de massa e silicone, no complexo arquitetônico do Senado e residências oficiais, durante o período de 1º de janeiro a 13 de abril de 2010”. Resta agora conferir o resultado dos trabalhos.

 Peças de metal prateado e aço inox

 A Câmara o Senado também adquiriram na última semana peças sofisticadas. A pedido da coordenação de administração de edifício, a Câmara empenhou R$ 3,8 mil para a compra de 120 unidades de jarra lisa em aço inoxidável, com capacidade de 1,5 a 1,8 litros. Já o Senado reservou R$ 7,5 mil para custear 20 “bandejas em metal prateado com grade e gravação especial do brasão da Republica, a serem oferecidas como presente representativo do Congresso Nacional a chefes de estado em visita oficial ao Senado”.

 Departamento Médico

 Na área médica, mais semelhanças entre os dois órgãos do Legislativo. A pedido do Departamento Médico, a Câmara comprometeu R$ 23,9 mil para a compra de 11 unidades de esfigmomanômetro aneróide. O Senado preferiu ficar de olho no coração de seus parlamentares, assessores e funcionários. A instituição empenhou R$ 4,2 mil para a compra de 10 aparelhos de monitoramento de batimentos cardíacos “em trabalhos aeróbicos”. Isso que as eleições deste ano só acontecem em outubro…

 Clique aqui para ver as notas de empenho citadas.

 *Todo fim de semana o Contas Abertas publica a coluna “Carrinho de Compras”, que traz reservas de recursos em orçamento realizadas por órgãos da União para pagamento de despesas curiosas. Vale ressaltar que, a princípio, não existe nenhuma ilegalidade nem irregularidade neste tipo de gasto feito pela União e que o eventual cancelamento de tais empenhos certamente não ajudaria, por exemplo, na manutenção do superávit do governo ou em uma redução significativa de despesas. A intenção de publicar essas aquisições é popularizar a discussão em torno dos gastos públicos junto ao cidadão comum, no intuito de aumentar a transparência e o controle social, além de mostrar que a Administração Pública também possui, além de contas complexas, despesas curiosas.

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 Leia os últimos “Carrinho de Compras”:

 STF reserva R$ 10,2 mil para comprar 33 apoios para os pés

Senado reserva R$ 320 mil para compra de móveis especiais

Presidência reserva R$ 585 mil para instalação de persianas

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