As enormes filas nos postos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deixaram de ser físicas e passaram a ser virtuais. O segurado pode levar meses para conseguir ser atendido com hora marcada e, dessa forma, requisitar benefícios como salário-maternidade, auxílio-doença ou aposentadoria.

 “Nunca mais vimos manchete de jornal falando da fila do INSS”, disse o presidente Lula anteontem, na posse dos novos ministros, elogiando José Pimentel, ex-titular da Previdência.

“Agora, é uma fila virtual”, admitiu João Barbosa Lima, gerente da Agência da Previdência Social do Plano Piloto, em Brasília, que atende 400 pessoas por dia. Segundo ele, o atendimento melhorou, mas o tempo de espera é de 2 a 60 dias. O Ministério da Previdência diz que o tempo médio de espera para o agendamento está em torno de 15 dias.

Mas a demora pode ser bem superior. Anteontem, o Estado telefonou para o número 135 – central de atendimento da Previdência – para agendar pedido de aposentadoria por tempo de contribuição. A data só foi marcada para 1º de julho – daqui a 90 dias.

“Não esperei muito”, disse a babá Maria Fátima de Souza, que, na quarta-feira, deu entrada no salário- maternidade. Mas a aposentada Valquíria Strehl teve de esperar mais de duas horas para conseguir uma certidão de PIS/PASEP/FGTS. “Era para não ter essa burocracia, fiquei aqui um tempão”, reclamou.

Na capital paulista, há filas que começam a se formar de madrugada. Ontem, às 6 horas, em um posto na zona oeste, mais de 40 pessoas aguardavam para serem atendidas. “A situação não é como antes, quando a gente esperava muito. Mas ainda perdemos um bom tempo aqui”, afirmou o projetista Roberto Carlos de Jesus, de 45 anos, que fez cirurgia e passa por tratamento, mas foi liberado para voltar ao trabalho. Ele voltou ao posto para pedir reconsideração da perícia.

Estadão