Às 13h desta segunda-feira (22) começa o julgamento mais esperado do país, o do casal Nardoni. Os acusados de jogar a menina Isabella Nardoni, de cinco anos, do sexto andar do edifício London, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008, ficarão frente a frente com as sete pessoas que decidirão o futuro deles. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá negam que sejam os autores do crime.

Veja onde o casal Nardoni será julgado

Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, o júri pode durar até cinco dias. A sessão desta segunda-feira vai ser iniciada com escolha dos sete jurados. No início do mês, houve um primeiro sorteio de 40 pessoas, sendo 23 mulheres e 17 homens. É necessário que ao menos 15 deles compareçam para que seja feito o novo sorteio. Defesa e acusação têm o direito de recusar três pessoas cada.

Após a constituição dos jurados, começam a ser ouvidas as testemunhas de acusação e da defesa, nesta ordem. Ao todo, foram convocadas 24 pessoas para serem ouvidas, mas uma delas não foi encontrada pela Justiça para ser intimada. Gabriel Santos Neto era pedreiro de uma obra no fundo do prédio de onde Isabella foi jogada.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ele afirmou que a obra tinha sido invadida. Mais tarde, em depoimento à polícia, Santos Neto negou a versão. Especialistas dizem que, em razão da possível ausência, o advogado dos Nardoni, Roberto Podval, pode pedir ao juiz Maurício Fossen o adiamento o júri.

Laudos e depoimentos de peritos devem decidir o destino do casal Nardoni. É em torno da chamada “prova técnica” que se dará a disputa entre a defesa e a acusação no caso Isabella. Isso porque não há testemunha presencial nem confissão. Advogados criminalistas ouvidos pelo R7 não descartam chance de o casal sair livre da acusação. Para o advogado Sergey Cobra Arbex, se os defensores conseguirem deixar os jurados em dúvida sobre a autoria do crime, já pode ser suficiente para uma absolvição.

A previsão do TJ é que, no primeiro dia, a sessão seja interrompida às 21h. É possível que nem todas as testemunhas sejam ouvidas na segunda-feira. Na terça-feira (23), o julgamento deve ser retomado por volta de 9h. Após o final dos depoimentos, os réus serão interrogados. Depois disso, serão feitos os debates da defesa e da acusação.

O juiz então consulta os jurados sobre as dúvidas e formula as perguntas que eles devem responder sobre o crime. Essas sete pessoas se reúnem então em uma sala secreta para votação. A sentença é o último passo. Pode ser que a decisão só saia na próxima sexta-feira (26).

Acusação

A acusação será feita pelo promotor Francisco Cembranelli. Ele se diz confiante na condenação dos réus.

– Tenho confiança no trabalho que foi feito. Houve a construção de um acervo probatório bastante encorpado, isso é o que será apresentado. Acredito na qualidade desse trabalho, possível de convencer o júri que tem a responsabilidade de julgar.

A principal testemunha de acusação é a mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, que acredita que foi por causa do ciúme da madrasta que sua filha acabou morrendo.

Defesa

Do outro lado da sala, o advogado Roberto Podval vai tentar convencer o júri que a “perícia trabalhou para fechar uma história que já estava pronta”. Para isso, convocou sete peritos que atuaram no caso, além de investigadores de polícia.

– A documentação foi feita para arrumar uma história que estava feita.

Contudo, o defensor ressalta que seu trabalho será difícil, uma vez que seus clientes já chegam ao julgamento condenados pela opinião pública.