Assim como seus concorrentes, o ex-governador Paulo Souto (DEM), pré-candidato ao governo baiano, não tem pressa: apesar de assistir a uma natural disputa interna entre os nomes que pleiteiam compor sua chapa, os atores envolvidos no processo consideram que o tempo conspira a favor do democrata.

A prioridade, afirmam, é fortalecer as candidaturas de Souto e do governador paulista José Serra (PSDB) à presidência. O vice-governador e os dois candidatos ao Senado seriam peças auxiliares nesta formação. Ajudantes que, por sinal, já estão a postos: no DEM, os postulantes a senadores são ACM Júnior (já ocupante do cargo por ter sido suplente de Antônio Carlos Magalhães), José Carlos Aleluia (deputado federal) e José Ronaldo (ex-prefeito de Feira de Santana). Entre os tucanos baianos, são cotados para o Senado o ex-prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy, o ex-governador e atual prefeito de Guanambi, Nilo Coelho, e também o deputado federal João Almeida.

“Não temos nada definido, claro que temos aí vários nomes em aberto”, disse Souto. Ele ressalta que o processo não tem impedido a pré-campanha, com a realização de viagens pelo interior do Estado. Nelas, inclusive, o ex-governador já tem contado com a companhia dos futuros aliados de chapa. Um exemplo foi uma reunião com líderes partidários de Itabuna, na última sexta, onde Aleluia, Imbassahy e José Ronaldo estavam presentes.

“Deixa os adversários terem pressa, se posicionarem. Temos mais tempo, sem dúvida nenhuma. Não temos impedimento para a candidatura (em relação à desincompatibilização de cargos públicos). Podemos pensar na melhor composição”, analisou o senador ACM Júnior. Ele mesmo diz que ainda não decidiu se vai se candidatar. “Depende das composições que vamos fazer”, afirmou.

Tucanos – De acordo com Imbassahy, que é presidente do PSDB baiano, o acerto preliminar feito com o DEM é de indicar um nome tucano para a chapa, sem se saber ainda para qual cargo. “Por essas próximas semanas estaremos decidindo. Quem sabe não indicaremos até dois nomes, se for o caso?”, disse. Ele avalia que a participação de outros partidos na composição – como o PPS e o PTN, que já fecharam nacionalmente com o PSDB –, ajudará a fortalecer o palanque nacional.

Na Bahia, esses aliados ainda estão em negociação com a chapa tucano-democrata. A indecisão do senador César Borges (PR) também pesa no cenário. Disputado por todos, ele negocia um espaço na chapa do governador Jaques Wagner (PT), mas já deu declarações públicas recentes de que seu “caminho natural” seria compor com o DEM, seu berço político. Os democratas assistem à movimentação para poderem definir suas composições.

“A decisão é dele, estamos preparados para qualquer hipótese”, disse Souto. De acordo com o calendário eleitoral, os partidos têm o prazo entre 10 de junho e o final do mês para realizar as convenções que definirão oficialmente as composições das chapas concorrentes às eleições deste ano. Na prática, no entanto, os acertos são anteriores a esta data, que apenas referendam a decisão tomada pelos partidos.

A Tarde