A Polícia Militar de São Paulo informou nesta sexta-feira, em nota, que recebeu duas ligações do celular do suspeito de matar o cartunista Glauco Villa Boas no dia do crime. A informação surgiu no depoimento de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, em Foz do Iguaçu. Ele teria dito que pretendia se entregar, mas que não recebeu a devida atenção da PM.

Carlos Eduardo Nunes, 24 anos, foi preso em Foz do Iguaçu (PR) Foto: Christian Rizzi/Gazeta do Povo/Futura Press

As ligações foram feitas por volta de 0h30 do último dia 12. Nas duas ligações, segundo a corporação, o suspeito narrava “coisas desconexas e sem sentido”. “Como não forneceu sua localização ou outras informações para que uma viatura policial fosse enviada até o local, uma vez que fazia uso de telefone móvel, o policial atendente do telefone 190 (serviço de emergência), orientou seu deslocamento para um Distrito Policial”, diz a nota da PM.

Entenda o caso
O cartunista e seu filho, Raoni Villas Boas, 25 anos, foram mortos na madrugada de sexta-feira, dia 12 de março, com quatro tiros cada, na residência da família, em Osasco (SP). Os dois chegaram a ser levados para o Hospital Albert Sabin, mas não resistiram aos ferimentos.

Glauco começou sua trajetória como cartunista nos anos 70, no Diário da Manhã, de Ribeirão Preto (SP). Ele publicou suas tiras também na Folha de S.Paulo e na revista Chiclete com Banana. O cartunista é famoso por ter criado personagens como Geraldão, Casal Neuras, Doy Jorge, Dona Marta e Zé do Apocalipse.

Na casa de Glauco, eram realizados cultos da Igreja Céu de Maria, que segue a filosofia do Santo Daime, prática religiosa cristã, ecumênica, que repudia todas as formas de intolerância religiosa. Os seguidores tomam o chá conhecido por esse nome. Para eles, a bebida amplia a capacidade perceptiva, criativa, cognitiva e de discernimento, elevando a consciência do ser humano.

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