Foi preciso a oposição tomar um atalho para escapar do cerco da base aliada e atrair para os holofotes do Congresso o escândalo que envolve a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop). Quatro personagens considerados centrais para revelar detalhes do suposto esquema de desvio de dinheiro da cooperativa foram convocados a depor.

A Comissão de Direitos Humanos do Senado, normalmente negligenciada pela tropa governista, aprovou a convocação do tesoureiro do PT e ex-presidente da Bancoop, João Vaccari Neto, do doleiro Lúcio Funaro, do advogado da cooperativa, Pedro Dallari, e do promotor do Ministério Público paulista José Carlos Blat.

A ideia da comissão é ouvir cada um deles em dias separados. As datas ainda não foram definidas. Como se trata de convocação em comissão, eles não são obrigados a comparecer.

Em reunião com mais de três horas de duração, os senadores também aprovaram a criação de uma comissão para checar a situação de cooperados lesados pela Bancoop. Alguns deles, inclusive, estiveram ontem no Senado narrando seus dramas para os senadores.

A comissão, ainda sem número definido de parlamentares, deverá ir a São Paulo nos próximos dias vistoriar obras abandonadas e atrasadas da cooperativa. A intenção é de que a ida dos senadores à capital paulista ocorra antes do depoimento de Vaccari, Funaro e do advogado Pedro Dallari.

O escândalo da Bancoop dominou a reunião da Comissão de Direitos Humanos e avançou pelos corredores do Congresso. O senador Cícero Lucena (PSDB-PB) chegou a apelidar a Bancoop de “robocoop”, numa alusão às suspeitas de desvios que recaem sobre a cooperativa.

Desvio chegaria a R$ 100 milhões

Senadores da oposição reforçaram a necessidade de investigar o caso.

– Segundo o promotor Blat, o desvio da Bancoop serviu para financiar a campanha do presidente Lula. O que querem (petistas e governistas) é que o ano da eleição absolva criminosos e corruptos. Não vamos permitir isso – disse o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).

As investigações do Ministério Público de São Paulo mostram que o esquema de desvio de dinheiro da Bancoop pode ultrapassar R$ 100 milhões. De acordo com o promotor José Carlos Blat, uma fatia do montante foi destinada a campanhas eleitorais do PT.

Zero Hora – Brasília