O adolescente de 13 anos que foi acorrentado dentro de casa pela mãe para mantê-lo longe do vício no crack será internado em uma clínica de Sumaré, a 118 km de São Paulo. O tratamento foi oferecido pelo dono da clínica, e o transporte será realizado pela Prefeitura de Piracicaba, a 162 km da capital paulista, onde a família mora.

A mãe do garoto esteve no Conselho Tutelar e foi informada sobre a clínica que ofereceu o tratamento de graça para a família. “Uma pessoa que prefere não se identificar, que é diretor de uma clínica, nos ligou oferecendo o tratamento para o adolescente, inclusive ele deixou claro que esse tratamento deve ser extensivo a toda a família”, contou a conselheira tutelar Zélia dos Reis.


A prefeitura se responsabilizou por fazer o transporte. A mãe está aliviada e disposta a participar do tratamento. “Vou fazer tudo por ele, lógico, porque a gente não dorme mais com ele. Ele fica a noite inteira usando droga, ele sai, volta depois de três dias com um monte de drogas dentro de casa”, disse ela, que não quis se identificar. 

Ela diz que o filho está sob efeito de remédios e mal conseguiu conversar. “Ele está bem, dormindo, ele come, dorme, só isso que ele faz, que o remédio dele é muito forte. Falei com ele que ele vai ser internado, ele falou que ele quer”

O menino de 13 anos foi acorrentado pela própria mãe como ultimo recurso para mantê-lo longe das ruas e do vício do crack. O consumo da droga era pago com pequenos furtos praticados há um ano.

Quando soube do caso, o Conselho Tutelar resolveu levar o menino para um hospital e a mãe para a delegacia. A situação chegou a esse ponto porque ele precisa da internação. Segundo o laudo médico, há necessidade de que ele fique em ambiente protegido em tempo integral.

A Secretaria de Saúde de Piracicaba confirma que a cidade não tem clinicas para a internação de crianças e adolescentes usuários de drogas. A explicação dada pela prefeitura é de que o próprio estatuto não autoriza esse tipo de serviço.

O promotor Luiz Otávio Ferreira disse que o adolescente poderia ter sido internado desde que houvesse uma orientação médica e uma determinação da Justiça. A Delegacia da Mulher concluiu o caso, que será encaminhado para a Justiça.

G1