O promotor José Carlos Blat, responsável no Ministério Público de São Paulo por investigar um suposto esquema de desvio de dinheiro da Bancoop (Cooperativa Habitacionais dos Bancários de São Paulo), diz que não se intimidará com críticas que dizem que seu trabalho é eleitoreiro nem com ameaças do PT de que será feita uma representação contra ele no Conselho Nacional do Ministério Público.

 – Não me intimido. Estou apenas fazendo meu trabalho e responderei ao que for necessário nas instâncias administrativas necessárias. Eu não investigo pessoas ligadas ao PT, investigo dirigentes e ex-dirigentes da Bancoop.

No inquérito cuja denúncia deve acontecer em maio, o promotor analisou mais de 8,5 mil extratos bancários da cooperativa e se convenceu de que houve desvio de dinheiro da Bancoop para campanhas do PT, acusação que o partido nega. O Ministério Público pretende denunciar ex-diretores da entidade por formação de quadrilha, estelionato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro.

 Blat afirma que o trabalho de investigação ainda não foi concluído, mas que o prejuízo inicialmente previsto em R$ 100 milhões nas contas da entidade é “subestimado”.

O promotor diz que houve R$ 46 milhões captados em fundos de pensão, R$ 11 milhões tomados como empréstimo de sindicatos, desvio de R$ 10 milhões por empresas fantasmas, além de mais de 3.000 famílias que não receberam suas casas – como cada cooperado contribuiu com R$ 33 mil, somente aí já haveria um rombo de R$ 99 milhões.

– Tudo isso está baseado em apuração feita com base em balanços, depoimentos, não é da minha cabeça.

O promotor rebate uma das principais alegações da defesa da Bancoop, de que as transações bancárias analisadas por Blat eram transferências interbancárias regulares entre as contas da própria entidade.

– A defesa pode alegar o que quiser. Houve movimentação interbancária também, mas elas também foram analisadas. Houve cruzamento de dados, uma investigação complexa. Não é uma simples verificação de cheques.

Já quanto a outra reclamação do PT e da Bancoop, de que o promotor analisa o caso há quase três anos e até agora não apresentou uma denúncia à Justiça, Blat disse que a considera um “elogio”.

– Recebo como um elogio [a reclamação da demora na denúncia], pois quer dizer que eu não ajo de maneira precipitada. Tenho que ouvir todos os envolvidos antes de apresentar a denúncia.

Na última quinta-feira, a Justiça negou um pedido feito pelo promotor para bloquear todas as contas da Bancoop. De acordo com o juiz Carlos Eduardo Lora Franco, do Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais e Corregedoria da Polícia Judiciária da Capital), não houve na solicitação de Blat embasamento técnico que justificasse a medida.

O juiz autorizou ainda uma análise em documentos e movimentações financeiras de um fundo da entidade e pediu mais esclarecimentos ao Ministério Público para decidir sobre a quebra de sigilo de Vaccari Neto.

Vaccari nega as acusações de que dinheiro da entidade tenha ido para campanhas, responsabiliza os próprios cooperados por não terem obtido as chaves dos imóveis que adquiriram e alega que houve apenas “desequilíbrio financeiro”.

R7