BRASÍLIA – O PT reforçou na segunda-feira o discurso de que a pré-candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB) à Presidência perdeu força, diante do resultado da pesquisa Datafolha , que mostra um crescimento da candidata do PT, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que Ciro perdeu o principal discurso de que sua presença na disputa era importante para forçar um segundo turno entre Dilma e o governador de São Paulo, José Serra (SP), que deve ser o candidato do PSDB. ( Leia mais: Tucanos vão aproveitar festa em Minas para tentar criar fato em torno de Serra e Aécio )

Segundo petistas e integrantes do PSB, Ciro deve ter uma conversa definitiva com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por volta do dia 15.

– O que acabou foi o discurso do Ciro. Se ele quiser continuar, tem que ficar com outro discurso. O discurso (de que era essencial) não se sustenta. Agora, ele fica se tiver outros elementos – disse Vaccarezza, acrescentando que o deputado do PSB tem todo o direito de concorrer à Presidência.

Apesar da pressão do presidente Lula, o líder do governo não parece acreditar que Ciro concorra em São Paulo.

– Ele tem sido muito claro de que não quer ser candidato em São Paulo. Se não for o Ciro, o mais provável é que seja Aloizio Mercadante (PT-SP) – disse Vaccarezza.

Segundo petistas, o próprio Lula já teria dito que, se não houver acordo, Mercadante será o candidato. O discurso dos petistas é o de que não há pressa em São Paulo porque o PSDB ainda não lançou seu candidato. Na semana passada, parlamentares se reuniram com Ciro e receberam a resposta de que sua candidatura ao governo de São Paulo era remota; mas ele não fechou a porta totalmente. Mesmo assim, Ciro tem insistido que prefere concorrer nacionalmente.

Para Vaccarezza, a pesquisa mostrou que Dilma é a favorita hoje na disputa:

– Não podemos ficar de salto alto, nem eles (oposição) devem ficar cabisbaixos. Mas a pesquisa mostrou várias situações: Dilma é favorita na disputa, e, cada vez que conhecem mais a Dilma, mais se posicionam favoravelmente a ela.

Para o líder do governo, Serra perdeu pontos devido ao seu desgaste em São Paulo.

– Está havendo um desgaste real da imagem dele. Há uma fadiga na política deles em São Paulo. E mesmo que o Serra faça “salamaleques” para dizer que não é anti-Lula, a oposição não deixa ele se movimentar (nesse sentido) – disse Vaccarezza.

Já o líder do PSB na Câmara, Rodrigo Rollemberg (DF), disse que, por enquanto, a pesquisa não mudou o quadro: Ciro como candidato a presidente e Paulo Skaf como candidato a governador de São Paulo.

– Por volta do dia 15 é que faremos uma avaliação com o presidente Lula. Skaf hoje está colocado como candidato em São Paulo. Não é bom colocar as fichas numa candidatura só (na Dilma), é sempre bom ter mais – defendeu Rollemberg.

O Globo