O relatório que pede o impeachment do governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), foi lido nesta terça-feira no plenário da Câmara Legislativa do DF. O presidente da Câmara, deputado distrital Cabo Patrício (PT), ordenou que a leitura fosse publicada do Diário Oficial da Câmara Legislativa.

 O parecer do relator Chico Leite (PT) será votado pelo plenário da Câmara em sessão extraordinária na próxima quinta-feira. No mesmo dia, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve deliberar sobre o pedido de habeas-corpus pedido pelos advogados de Arruda. O governador licenciado do DF está preso desde 11 de fevereiro, na sede da Polícia Federal, em Brasília. Arruda é acusado de atrapalhar as investigações da Operação Caixa de Pandora e de uma suposta tentativa de suborno ao jornalista Edson Sombra, testemunha de acusação no inquérito.

 O deputado Júnior Brunelli (PSC) – que ficou conhecido como o “deputado da oração” – deve renunciar nesta terça-feira à tarde ao mandato. A informação é da sua assessoria de imprensa. Brunelli deve seguir o mesmo caminho do ex-presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (sem partido, ex-DEM), que renunciou ao mandato de deputado distrital para não perder os direitos políticos, depois de aparecer em vídeo escondendo dinheiro nas meias.

 A deputada Eurides Brito (PMDB), que foi flagrada colocando dinheiro na bolsa, afirmou que não vai renunciar ao cargo. Em seu blog, a deputada disse que o dinheiro foi pago a ela por Durval Barbosa a mando do ex-governador do DF, Joaquim Roriz (PSC). Eurides afirma que Roriz devia uma quantia relativa a 12 jantares a ela. O ex-governador classificou a afirmação como “fantasiosa”.

 Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

 O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram “regularmente registrados e contabilizados”.

 As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

  Redação Terra