Ventos de 150 quilômetros por hora, acompanhados de chuvas fortes e inundações, deixaram pelo menos 49 pessoas mortas, na mais devastadora tempestade ocorrida na França desde 1999.
A tormenta, batizada Xynthia, atingiu dezenas de municípios da costa atlântica do país entre a noite de sábado e o domingo, deixando quase 1 milhão de pessoas sem luz.
Dezenas de pessoas ainda estavam desaparecidas na noite de ontem, segundo informações da Defesa Civil francesa.
A tempestade havia sido prevista pelo órgão oficial de meteorologia do país, Météo France, cujos alertas podem ter reduzido o número de vítimas. A maior parte das mortes ocorreu por afogamento, durante a alta do nível do mar e o transbordamento de diques, que provocou inundações.
A maior destruição aconteceu no Departamento – similar aos Estados brasileiros – de Vendée. As cidades mais atingidas foram Aiguillón e La Faute-Sur-Mer, estações balneárias situadas na Baía de Aiguillón e separadas por um braço de mar, cujas águas eram contidas por muros de proteção.
De acordo com o balanço parcial, 15 pessoas teriam morrido ali, mas o número pode chegar a 29, em razão dos desaparecidos.
Conforme os testemunhos, as casas foram invadidas pelas águas após a ruptura do dique durante a madrugada.
“Eu vi as águas subirem a 1,2 metro em duas horas”, relatou ao jornal Le Figaro um habitante de La Faute-Sur-Mer. O depoimento foi confirmado pelo prefeito da cidade, René Marratier. De acordo com ele, o rompimento do dique se deveu à conjunção de ventos, maré fortes e mar em fúria. Segundo o Marratier, a água subiu até 1,5 metro em algumas regiões da cidade. “O oceano invadiu as terras. Eu vivo neste departamento há mais de 30 anos, e mesmo em 1999, nunca havia vivido um fenômeno dessa natureza”, afirmou ontem à rádio France Info, de Paris, o secretário de Estado dos Transportes, Dominique Bussereau, após ter sobrevoado a região.
Nos dois municípios, 120 mil pessoas ficaram sem luz, telefone e água potável.
As demais vítimas de Xynthia padeceram nos departamentos de Loire-Atlantique, Charente-Maritime, no litoral, e em Pyrénées-Atlantiques, Haute Garonne e Yonne, no interior do país. Por toda a França, a rede ferroviária e o transporte aéreo foram prejudicados. Trens atrasaram até três horas devido à obstrução das linhas na região de Bordeaux.
A tempestade também levou a Air France, principal companhia aérea do país, a cancelar mais de uma centena de voos que partiam dos aeroportos internacionais de Roissy-Charles de Gaulle e Orly. Mais de 60% dos voos sofriam atrasos na noite de ontem.
A intensidade da tempestade levou o governo a decretar estado de catástrofe nacional, o que resultará na mobilização de recursos emergenciais em até 48 horas.
Ontem mesmo o Palácio do Eliseu anunciou a liberação de ? 1 milhão apenas para a aquisição de alimentos, medicamentos e atenção de urgência às vítimas, que foram deslocados para escolas e ginásios.
Ao longo do domingo, Xynthia também fez vítimas em outros países europeus. Portugal, Espanha e Bélgica foram atingidos durante a madrugada ou a manhã, enquanto a Alemanha sofria os efeitos no início da noite. Mais de 50 pessoas morreram em toda a Europa.
Xynthia é desde já a tempestade mais mortífera ocorrida na região desde 1999, quando os ciclones extratropicais Lothar e Martin atingiram a França, a Suíça, a Alemanha e a Dinamarca, com ventos de até 259 quilômetros por hora, causando 91 mortes e perdas econômicas avaliadas em US$ 19,2 milhões. O ciclone deste fim de semana já supera os efeitos de Klaus, a tormenta que atingiu França, Itália e Espanha em janeiro de 2009, deixando saldo total de 31 mortos.