Uma romaria de amigos, familiares e curiosos se revezou entre sábado e domingo, na Assembleia Legislativa, para se despedir do secretário Eliseu Santos, assassinado com dois tiros na noite de sexta-feira.
Autoridades como a governadora Yeda Crusius e o prefeito José Fogaça alteraram suas agendas no final de semana para participar dos atos fúnebres do ex-deputado do PTB, evangélico praticante.

Eram 17h quando familiares, amigos e políticos se despediram do secretário de Saúde da Capital, Eliseu Santos, morto a tiros na frente da mulher, Denise, e da filha caçula, Mariana, quando deixava um culto evangélico no bairro Floresta na noite de sexta-feira.
No mesmo horário, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelletto, atendia ao último pedido do médico. Na quinta-feira, Novelletto recebeu um telefonema de Eliseu com uma solicitação inusitada: queria um minuto de silêncio em homenagem às pessoas que “não morreram de dengue”, durante a partida entre Grêmio e Novo Hamburgo, no Estádio Olímpico. Em vez disso, os cartolas do futebol dedicaram o minuto de silêncio ao secretário, torcedor do Internacional.
– Ele queria tanto um minuto de silêncio. Atendi seu pedido – disse Novelletto.
A chegada do corpo do secretário na Assembleia Legislativa, às 13h50min de sábado, deu início a uma romaria de familiares, amigos, políticos e eleitores que queriam se despedir do petebista. No início da tarde de ontem, faltava espaço no Salão Júlio de Castilhos para tantas pessoas. Algumas se aglomeravam na escadaria de acesso ao segundo andar do Legislativo.
O sepultamento ocorreu no domingo por conta do deslocamento de Virgínia, um dos três filhos do primeiro casamento de Eliseu, que estava na Alemanha. Assim que ela chegou ao parlamento, por volta das 13h, foi amparada pelos irmãos Artur e Eliseu. Visivelmente transtornada, a viúva do secretário era acudida a todo momento por familiares. A ex-vereadora Sônia Santos chegou da França na manhã de ontem para se despedir do ex-marido.
Durante o funeral, políticos relembraram a trajetória do secretário. Ao microfone, o senador Sérgio Zambiasi (PTB) recordou do último encontro com o colega de partido, ocorrido na quinta-feira em Brasília.
– Era um bicho teimoso. Essa é a imagem que quero ter dele – disse.

“Espero que a justiça seja feita”, diz irmão

Consternado, Fogaça permaneceu mais de 10 horas no velório, intercaladas por pequenos períodos de descanso. Num dos poucos pedidos de entrevista que atendeu, não segurou as lágrimas. Ontem, disse que por sugestão de Eliseu tem uma Bíblia em seu gabinete na prefeitura. Em alguns momentos, liam trechos juntos.
Após a manifestação dos políticos, pastores da Assembleia de Deus celebraram um culto no Salão Júlio de Castilhos. Um dos momentos de maior emoção foi durante a apresentação do cantor gospel Elton Machado.
A governadora Yeda Crusius, que já tinha ido ao velório no sábado, lembrou ontem em entrevista que é recorrentemente cobrada por maior segurança pública:

– Acho que a forma pela qual Eliseu se foi indica que a gente tem de aplicar tudo no combate à violência.

O cortejo com o corpo do ex-deputado deixou a Assembleia no caminhão do Corpo de Bombeiros por volta das 15h45min em direção à Lomba do Pinheiro. Após o sepultamento, palmas encerraram as homenagens ao secretário.

– Vou entregar nas mãos de Deus, mas espero que a justiça seja feita – disse Dirceu dos Santos, 77 anos, um dos irmãos de Eliseu.

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