A Tarde

Um grupo de manifestantes, formado por policiais militares e parentes de integrantes do 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM), em Vitória da Conquista (a 509 km da capital), impediu a saída de patrulhas e esvaziou pneus de viaturas, nesta quinta-feira. “A polícia pode ir para as ruas, mas ninguém vai trabalhar. Vamos fazer corpo mole até os nossos colegas voltarem”, gritou um PM à paisana.

O protesto foi contra a condução de quatro policiais para depor em Salvador, sobre os assassinatos de 14 pessoas, além do sumiço de três adolescentes, após o homicídio do soldado PM Marcelo Márcio, na noite de 28 de janeiro. Os PMs foram identificados quarta-feira, em auto de reconhecimento – acompanhado pela força-tarefa do Ministério Público (MP) estadual e cúpula da Secretaria da Segurança Pública (SSP) – e conduzidos à capital na mesma noite.

Um cordão humano, reforçado por dezenas de veículos, bloqueou ruas no entorno do batalhão, enquanto manifestantes faziam uso de carros de som. O coronel PM Ivo, responsável pela PM na região, sustentou que “não houve insubordinação ou desrespeito”, mas enfatizou que “os policiais não podem confundir as coisas”, e que “o serviço da corporação é importante e tem que ser feito”.

No entanto, Conquista ficou sem policiamento ostensivo durante toda a manhã. Com muitas viaturas sem condições de rodar e o cinturão humano em volta do batalhão, somente no início da tarde a situação começou a ser normalizada.

Alheios à legalidade do procedimento em que as testemunhas identificaram os PMs – na presença de diversas autoridades, incluindo o secretário César Nunes e o comandante-geral da PM, Nilton Mascarenhas – dirigentes de associações militares não se conformam. “As prisões foram absurdas e arbitrárias. O secretário convocou os policiais a tirar as fardas e os levou ao Disep (Distrito Integrado de Segurança Pública ), por isso a revolta”, disse o diretor da Associação de Policiais (Aspro) Marco Prisco.

O diretor da Associação de Profissionais da Polícia e Bombeiros Militares (Aspol), José Lourenço Dias, revelou que “nosso temor é que eles fiquem mofando por anos e anos, até que o governo reconheça que não são culpados”. Prisco explicou que “não estamos defendendo o crime, mas o direito à ampla defesa dos policiais”.

“O governo do Estado quer dar uma resposta rápida à sociedade, mas passando por cima dos nossos direitos. Quem vai pagar o tempo que os colegas passarem presos, se considerados inocentes?”, indagou Dias.

O procedimento normal na Corregedoria deve durar 30 dias, podendo ser prorrogado por igual período, e resultar ou não em pedido de prisão cautelar judicial, a depender do entendimento dos promotores que compõem a força-tarefa do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e de Investigações Criminais do Ministério Público estadual (Gaeco/MP).

Escoltados – Os PMS foram conduzidos escoltados, a pedido do secretário César Nunes, por volta das 21 horas de quarta-feira. Nunes e os auxiliares diretos – além do comandante da PM, o delegado-geral, Joselito Bispo – deixaram a cidade por volta das 15h de quarta-feira, de avião.

Os integrantes da força-tarefa do MP não quiseram comentar os protestos ocorridos ontem no município.